ATENÇÃO: JORNALISTA DISPARA: Lula vítima de armação política até pela esquerda; LEIA E ENTENDA!

Quando, na segunda-feira (14/05), reafirmou ao monge beneditino que o visitou para a chamada “Assistência Espiritual”, que não renunciará à disputa pela presidência da República, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tinha informações da pesquisa a CNT/MDA divulgada na mesma segunda-feira.

Pela pesquisa, que consultou eleitores entre os dias 9 e 12 de maio – portanto, com Lula recolhido à Polícia Federal há mais de um mês – o candidato do PT mantém-se à frente em todos os cenários apresentados pelos pesquisadores, com mais de 32% dos eleitores. Vence todos os demais concorrentes, até mesmo no segundo turno.

Nas explicações que Barros deu ao Blog, eles não falaram sobre a pesquisa, Ainda assim, Lula reafirmou sua disposição de se manter candidato, insistindo que é vítima de uma armação política: “O presidente está muito sereno, mas cheio de indignação, o que é normal, pela injustiça. Ele não renuncia, está firme e está com esperança. Ele diz”:

“Diga a todo mundo que estou consciente de ser vítima de uma armação política e impotente no sentido de não poder reagir a ela, que quebra toda a ordem jurídica, toda a ordem constitucional. E estou, nesse sentido, vivendo o que muitos brasileiros e brasileiras viveram na História. Não é uma coisa unicamente comigo, isto acontece muito. Estamos juntos. Eu vou resistir, me sustento neste apoio que recebo do Brasil inteiro e aqui dos acampamentos. Não vou renunciar, porque se eu renunciasse estaria de alguma maneira admitindo culpa. Então vou até o fim”.

Na verdade ele é vítima de duas armações políticas. A primeira aquela que lhe tirou a liberdade através de um processo – no mínimo – duvidoso, com uma condenação sem provas por conta de um apartamento que não lhe pertence e nem mesmo fez uso. Sem falar no fato de o julgamento ter sido um dos mais céleres que se tem notícia e dele estar cumprindo pena antes do trânsito em julgado da decisão.

Há ainda outra armação que é quererem barrar a sua candidatura antes da hora, mesmo quando as pesquisas mostram ser ele o candidato com maior aprovação pelo eleitorado. Uma armação que ultimamente conta também com a participação de diversos setores da esquerda que, em nome de viabilizarem candidaturas outras, pressionam para que ele desista de concorrer antes mesmo do jogo eleitoral iniciar.

Embora consciente de que não será fácil lhe darem a liberdade, Lula tem esperanças em ganhar a liberdade tanto que quando Barros disse que ao retornar da Itália – onde estará na semana que vem – pretende ir visitá-lo novamente, Lula reagiu com ironia: “aqui não, aqui eu já estou fora. Você vindo me ver vai me visitar em outro lugar, aqui eu não quero mais não”.

“Ele está querendo sair da prisão, não de Curitiba apenas”, explica Barros, deixando claro que todos têm consciência de que se trata cada vez mais de uma questão difícil, justamente por conta da perseguição política que, entretanto, no entendimento do monge, não irá conseguir afastar sua influência do próximo pleito eleitoral: .

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“Não querem o Lula nem como candidato, nem como eleitor, nem como alguém que mesmo não sendo candidato, lá fora, vai influir demais na eleição. É burrice, porque não estão vendo que de dentro da cadeia ele está influindo tanto quanto. Ou até mais, simbolicamente”.

O monge foi a segunda visita para assistência espiritual que Lula recebeu. A primeira, na segunda-feira anterior (07/05) foi do teólogo Leonardo Boff, como mostramos aqui em Dona Lindu fez Lula e Boff chorarem abraçados. Na visita desta segunda-feira dona Lindu, mãe de Lula, voltou a ser lembrada, como relatou Barros no texto que produziu após deixar a Polícia Federal e que reproduzimos abaixo. No texto, Barros explica como ela surgiu na conversa:

“Ele começou a me contar a história de sua infância. Contou como, depois de se separar do marido, dona Lindu saiu do sertão de Pernambuco em um pau de arara com todos os filhos, dos quais ele (Lula) com cinco anos e uma menina com dois.

Lembrou que quando era menino, por um tempo, ajudava o tio em uma venda. E queria provar um chiclete americano que tinha aparecido naqueles anos. Assim como na feira, queria experimentar uma maçã argentina que nunca havia provado. No entanto, nunca provou nem uma coisa nem outra para não envergonhar a mãe. E aí ele prosseguia com lágrimas nos olhos:

“Agora esses moleques vêm me chamar de ladrão. Eu passei oito anos na presidência. Nunca me permiti ir com Marisa a um restaurante de luxo, nunca fiz visitas de diplomacia na casa de ninguém… Fiquei ali trabalhando sem parar quase noite e dia… E agora, os caras me tratam dessa maneira…”, disse Lula no relato de Barros.

Luta contra o ódio – Mas, desta vez, a emoção do visitante e do visitado se deu no momento em que o monge beneditino apresentou a hóstia consagrada para dar a comunhão a Lula. Ao reparar que havia duas, o ex-presidente mostrou-se curioso. No texto o monge explicou:

“Eu lhe dei a comunhão e ele me deu também para ser verdadeiramente comunhão. Em um instante, eram vocês todos/as que estavam ali naquele momento celebrativo e eu disse a ele: ‘Como uma alma só, uma espécie de espírito coletivo, muita gente – muitos companheiros e companheiras – estão aqui conosco e estão em comunhão e essa comunhão eucarística representa isso‘”.

Depois da visita ao Lula, Barros esteve com seu amigo e ex aluno de teologia, Rozalvo Finco, com quem gravou alguns vídeos relatando o encontro com Lula. No primeiro, descreve como encontrou o ex-presidente e diz que o que mais lhe tocou foi ver “a luta interior do Lula para se ver livre do ódio. Estamos vivendo no Brasil de hoje um momento de muita intolerância e muito ódio”. Na conversa, lembrando passagens bíblicas, o religioso comentou : “você tem o direito de se indignar. Na bíblia chama-se indignação profética. Jesus se indignou muito. Houve momentos do evangelho em que dizia Jesus olhou para aqueles fariseus com muita raiva. Esta raiva não é ódio. É indignação”.

BLOG DO MARCELO AULER

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