BARRADO NO BAILE: Deputado vai ao Planalto, procura Temer em busca de apoio e não é recebido;

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Escolhido pela maioria da bancada do PMDB para disputar a presidência da Câmara, o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) disse nesta terça-feira (12) que foi até o Palácio do Planalto para pedir uma audiência com o presidente em exercício da República, Michel Temer, mas não foi recebido.

Ele disse que se reuniu com o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, que o informou que Temer estava ocupado, em reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

A candidatura de Marcelo Castro ao comando da Câmara gerou desconforto no Planalto, porque, embora seja do PMDB, ele é visto como nome de oposição a Temer, já que votou contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“Fui ao Planalto para falar com o Geddel, para discutir toda a situação, e para pedir uma audiência com Michel Temer.

Eu pedi audiência, mas ele estava reunido com o presidente do Senado e vários ministros, tratando de assuntos muito importantes, porque estamos chegando ao final da sessão parlamentar. Geddel ficou de conversar com ele e avisar quando tivesse vaga”, disse Marcelo Castro.

Questionado se a eleição para presidência da Câmara não seria motivo suficiente para Temer abrir espaço na agenda, o deputado do Piauí disse: “É importante que o candidato do PMDB converse com o presidente, que é do PMDB, até para tranquiliza-lo de que não vou usar o fato de ser do partido do presidente para pedir votos.”

Segundo a Presidência, Temer não recebeu Marcelo Castro nesta terça porque não houve pedido formal por parte do deputado para que houvesse o encontro.
Além disso, informou o Planalto, o presidente em exercício estava em uma reunião ministerial com o Núcleo Social do governo e, em razão dessa agenda, Temer não pode receber Castro.

Partidos de oposição, como o PT, PDT e PCdoB, avaliam apoiar Marcelo Castro numa estratégia para enfraquecer a base aliada do presidente da República em exercício. O deputado do PMDB admitiu que trabalha para conquistar esses votos e afirmou que pretende promover um clima de “paz” na Câmara.
“Torço muito por isso [apoio da oposição].

Se o PT me apoiar, vai ser importante para que a gente saia vitorioso. Não sou candidato anti-Cunha. Sou candidato a favor da Câmara. A Câmara está precisando de paz, harmonia, tranquilidade, estabilidade, para criar clima favorável para votar reformas importantes ao país”, afirmou.
Além de ter sido contrário ao impeachment, Marcelo Castro é desafeto de Cunha, com quem rompeu politicamente em 2015, após ter sido desautorizado pelo agora ex-presidente da Câmara nas negociações para votar um projeto de reforma política.

À época, o deputado do Piauí presidia a comissão especial criada na Casa para tratar das mudanças nas regras políticas e eleitorais. Contrariado com as propostas elaboradas sob o comando de Castro, o deputado do Rio cancelou a votação do relatório final da reforma política no colegiado e levou o assunto à votação diretamente no plenário da Casa.

A eleição pela presidência da Câmara já conta com 14 candidatos registrados, entre os quais alguns de partidos do “Centrão”, como Rogério Rosso (PSD-DF) e Carlos Manato (SD-ES).
Portanto a disputa dentro da base de Temer está fragmentada.

A preocupação dos aliados de Temer é que oposição se una em torno do nome de Marcelo Castro e viabilize a vitória de um peemedebista que não é próximo do presidente em exercício da República.

“Se a oposição e parte do PMDB apoiarem o Marcelo Castro, ele vai ao segundo turno. E no segundo turno, pode ganhar o apoio de partidos menores que se declaram contrários a Cunha. É uma preocupação”, disse ao G1 um dos candidatos do “Centrão”.

Candidato do PRB à presidência da Câmara, Beto Mansur (PRB-SP) avalia que, com o apoio do PT e de parte do PMDB, Marcelo Castro poderá chegar em primeiro lugar ao segundo turno da disputa. Ele afirma, porém, acreditar que o “Centrão” acabará vencendo na segunda votação.

“Não acho que o Marcelo Castro consiga 257 votos para se eleger no primeiro turno. Então teremos dois turnos. E as forças vão se aglutinar no segundo turno.

Entre os partidos do “Centrão” é difícil saber quem irá para o segundo turno. Mas o Marcelo Castro, possivelmente, estará no segundo turno”, disse Mansur, que é aliado de Temer.

Click Política com o G1

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