Benedita da Silva diz que terceirização atingirá principalmente as mulheres negras; SAIBA!

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O projeto de lei da terceirização aprovado pelos deputados no dia 23 e sancionado por Michel Temer nesta sexta-feira 31 prejudica principalmente as mulheres e, dentro desse grupo, as mulheres negras, alerta a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), em entrevista ao 247.

O texto de 1998, apresentado durante o governo Fernando Henrique Cardoso, permite a terceirização em qualquer atividade dentro de uma empresa, inclusive pública, e estende o contrato de trabalho temporário de 90 para 180 dias. Os defensores afirmam que a nova lei gerará mais empregos, enquanto os opositores da proposta lembram que a condição desses empregos será precária, com menso direitos garantidos e menos estabilidade.

“Além de perder os direitos, o trabalhador também ficará sem nenhuma estabilidade. Porque eles vão contratar por 90 dias, que podem ser renovados para 180 dias. Aí o patrão – que eu nem chamo mais de patrão, mas de empregador – pode te dispensar e contratar outro. E daí você não sabe mais o que vai ser da sua vida. Como é que um trabalhador nessas condições pode ajudar o país a crescer? Impossível”, ressalta Benedita da Silva.

Com uma atuação marcada no parlamento pela luta aos direitos das mulheres negras e das empregadas domésticas, ela diz ainda que a nova regra vai de encontro a esse grupo, “que há pouco tempo teve a regulamentação da sua categoria”.

“A terceirização vai prejudicar mais de 7,5 milhões de trabalhadoras domésticas. Nós já sabemos que a mulher, no mercado de trabalho, recebe menos que o homem, e a mulher negra recebe menos ainda. Então essa terceirização ela veio exatamente para resgatar o trabalho escravo”, critica.

A deputada também dispara críticas contra o projeto da reforma da Previdência apresentado pelo governo Michel Temer e que deve ser colocado em votação em abril. Ela volta a citar o direito conquistado recentemente pelos trabalhadores domésticos e lamenta: “Agora que o Brasil conseguiu finalmente esse avanço, mulheres que já trabalham há 20, 30 anos terão que trabalhar até 65 anos. Ou seja, vão lidar novamente com o cenário de que irão morrer sem se aposentar”.

A parlamentar destaca que a PEC da Previdência proposta por Temer atinge principalmente os mais pobres. Milhares de brasileiros foram às ruas do Brasil nesta sexta e no dia 15 de março em protesto contra as duas medidas do governo Temer e a retirada de direitos trabalhistas.

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