EDITORIAL: Folha detona Doria e prefeito não gosta

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A Folha de S.Paulo, em editorial publicado nesta quarta-feira, criticou a pressa do prefeito paulista, João Doria, em concorrer à Presidência.




Para o jornal da família Frias, Doria já se comporta como virtual candidato, causando desconforto até em setores do PSDB.

“É perceptível o empenho de Doria em projetar-se no cenário nacional. Exemplo ilustrativo foi a inclusão de propaganda de seu programa Cidade Linda em estádio onde ocorria jogo da seleção brasileira, transmitido pela TV”, diz o periódico.




Confira abaixo a íntegra do texto:

A prudência política recomendaria ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) encarar com alguma reserva as juras do pupilo e correligionário João Doria, prefeito de São Paulo, de que o mentor segue como seu candidato preferido a presidente da República, em 2018.

Atitudes recentes de Doria sugerem que tenha entrevisto uma oportunidade e, como empresário feito político, não se incline a desperdiçá-la. Com luminares do PSDB no crivo da Lava Jato e o crescente repúdio a lideranças tradicionais, abre-se espaço para nomes menos maculados, como o seu.

É perceptível o empenho de Doria em projetar-se no cenário nacional. Exemplo ilustrativo foi a inclusão de propaganda de seu programa Cidade Linda em estádio onde ocorria jogo da seleção brasileira, transmitido pela TV.

A proeminência do prefeito suscita desconforto no próprio PSDB, cuja cúpula, exceção feita a Alckmin, já não desejava sua candidatura municipal no ano passado.

Nesse sentido, foram sintomáticas, e não tardaram a merecer resposta, declarações recentes do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, segundo as quais a capacidade de gestão não confere a necessária liderança, e a popularidade difere da credibilidade.

Às referências —a um atributo que reivindica e a outro de que, comprovadamente, dispõe—, Doria retorquiu que FHC já se equivocou duas vezes ao prognosticar seu potencial eleitoral.

Nos últimos dias o prefeito também polarizou prazerosamente com possíveis nomes da corrida de 2018. Ciro Gomes (PDT-CE) qualificou-o como “farsante” e ouviu que deveria preocupar-se, antes, com a própria saúde mental.

Já do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o tucano disse, sem ter sido provocado, ser “o maior cara de pau do Brasil”.

O prefeito se apresenta como gestor, não político, mas será cobrado nas duas vertentes. A hiperatividade publicitária que abriu sua administração sofrerá erosão natural se não produzir resultados concretos no território que, antes de mais nada, lhe toca governar.

O cotidiano da maior cidade brasileira dificilmente resulta em noticiário favorável. Nas ruas, a pane dos semáforos é rotineira; a despeito do destaque especial conferido aos trabalhos de zeladoria, a prefeitura ainda ignora três quartos das queixas dos munícipes.

O próprio Doria reconhece que é preciso “melhorar bastante nessa área”. As respostas —e os planos para setores cruciais como saúde, educação e transporte— terão de ser mais palpáveis com o tempo, à medida que se esgote o expediente de culpar a administração anterior pelos problemas de hoje.

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3 Comentários

  1. HELDER ARAUJO Diz

    A pergunta é: Como Dória conseguiu se eleger prefeito de São Paulo sem pagar IPTU há 15 anos. Não estaria ele negativado? Não há impedimento nesses casos?

  2. ALESSANDRO Diz

    PRIMEIRO ELE TEM QUE MOSTRAR PRA QUE VEIO . SE NÃO FICA A IDEIA QUE FOI TUDO MENTIRA A PROPAGANDA ELEITORAL DELE .ELE ACABOU DE ASSUMIR UMA PREFEITURA JÁ QUER DISPUTAR OUTRA ELEIÇÃO . ELE DEVE ESTA ACHANDO QUE E BRINCADEIRA . E BURRO SAO OS NORDESTINOS QUE NÃO SABEM VOTAR .

  3. José Francisco Diz

    Mais ele já ganhou um eleitorado cativo:Boa parte dos Paulistanos, inclusive a mídia fecha com ele!!! O Datena que o diga. ele tem tantos puxa-sacos, que vai terminar sendo presidente da marginal Pinheiros Em São Paulo. Para Presidente do Brasil, jamais… Cara super recalcado.

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