Haddad sobre Dória: “Aventureiros levam vantagem”

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Do Valor:

Cotado como possível candidato ao governo do Estado ou até à Presidência, caso Lula não possa disputar, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) evita fazer qualquer tipo de conjectura a respeito do próprio nome. “Falam de todo mundo”, desconversa. Mas não nega. Nem deixa de traçar cenários. Sem citar nomes, Haddad afirma que o atual cenário político oferece vantagens para o que chama de “aventureiros” em 2018.

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“Num momento de crise tão profunda, e crises sobrepostas, eu diria que os aventureiros levam vantagem. Porque se reduzem os filtros, né? Não tem filtro, pode passar”, disse, em entrevista ao Valor.

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De acordo com Haddad, armar uma alternativa a Lula seria “um desafio enorme ao PT”. “Aí vai ser importante saber o grau de intervenção dele no processo eleitoral, a condição de poder indicar alguém que represente seu legado. São perguntas muito difíceis. Quem é essa pessoa? Qual será a capacidade de transferência de votos?”, indaga o ex-prefeito.

O petista é pródigo em elogios ao ex-ministro da Fazenda e ex-governador Ciro Gomes (PDT), que se coloca como presidenciável. “Eu considero o Ciro um dos melhores quadros do país. Ele é fiel ao estilo dele”, afirma. Segundo Haddad, “ele é uma pessoa transparente, que não faz tipo. E é um quadro preparadíssimo. E decente”. Para o petista, “a proximidade de campo é uma coisa que interessa. Independentemente de como vai ser a configuração, acho importante o Ciro estar na disputa”.

Haddad se recusa a fazer comentários sobre o início da gestão João Doria na prefeitura paulistana. Afirma que tem um pacto de não-agressão que vem sendo respeitado. “Eu não quero falar do Doria, é cedo. Fizemos uma transição boa, que funcionou bem, e um pacto, que está sendo cumprido pelas duas partes. Mais por mim do que por ele. Mas está sendo cumprido. E a situação já está tão difícil, que eu não quero fazer nada que possa eventualmente representar qualquer dificuldade”, afirmou.

Mas aceitou abrir exceção para falar sobre finanças, já que tem sido alvo de citações críticas do sucessor. Ainda assim, direcionou o fogo para o governo do Estado, comandado pelo mentor de Doria na política, o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

“O Doria está chegando agora no setor público. Mas ele recebeu a cidade na melhor condição dos últimos 30 anos. Recebeu com grau de investimento. Então, não reconhecer isso? Não me coloca numa situação difícil porque eu já tenho um selo. As finanças da cidade de São Paulo estão melhores que as do Estado de São Paulo, que é governado há 22 anos pelo PSDB”, diz o ex-prefeito.

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