MAIS UM: Em gravação Sarney fala no fim da Lava Jato para salvar PMDB; CONFIRA!

0

Segundo a reportagem, os dois falaram sobre os temores de toda a classe política. “Tá todo mundo se cagando, presidente. Todo mundo se cagando. Então ou a gente age rápido. O erro da presidente [Dilma] foi deixar essa coisa andar. Essa coisa andou muito. Aí vai toda a classe política para o saco. Não pode ter eleição agora”, afirmou Sérgio Machado.

Em outra conversa, também divulgada pela “Folha”, Sarney criticou a decisão do Senado de referendar a prisão do ex-senador Delcídio do Amaral no âmbito da Lava Jato. Machado afirmou que “a classe política está acabada” e que o momento é de “salve-se quem puder”. O ex-presidente da Transpetro alerta, então, que “nessa coisa de navio que todo mundo quer fugir, morre todo mundo.”

Após Sarney dizer que a oposição admitiu “diante de certas condições” apoiar Michel Temer para a presidência, Machado disse: “Não tem outra alternativa. Eles vão ser os próximos. Presidente: não há quem resista à Odebrecht”.

De acordo com a reportagem, Sarney relata ainda um episódio relacionado à Odebrecht em que a presidente afastada Dilma Rousseff está “envolvida diretamente”.

“Nesse caso, ao que eu sei, o único em que ela [Dilma] está envolvida diretamente é que falou com o pessoal da Odebrecht para dar para campanha do… E responsabilizar aquele [inaudível]”, diz Sarney.

A relação entre Dilma e Odebrecht também foi mencionada em uma conversa entre Machado e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Na ocasião, o ex-presidente da Transpetro afirmou que, com as informações de Renan de que “a Odebrecht vai tacar um tiro no peito dela [Dilma]”, a presidente afastada “não tem mais jeito”.

O ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que tem feito a defesa de Dilma, disse que é “impossível entender exatamente” a totalidade da frase de Sarney que relaciona a presidente afastada e a Odebrecht, mas que Dilma “nunca pediu a ninguém contribuições ilegais de campanha.”

No diálogo com Sarney, Machado citou o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ao falar sobre o processo de impeachment de Dilma. “Vamos fazer uma estratégia de aproveitar porque acabou. A gente pode tentar, como o Brasil sempre conseguiu, uma solução não sangrenta. Mas se passar do tempo ela vai ser sangrenta. Porque o Lula, por mais fraco que esteja, ele ainda tem… E um longo processo de impeachment é uma loucura. E ela perdeu toda…”

Mais adiante, o ex-senador pergunta se só os empresários e políticos “vão pagar”. “E o governo que fez isso tudo, hein?” Então, Machado disse: “Acabou o Lula, presidente”. Sarney concordou: “O Lula acabou, o Lula coitado deve estar numa depressão”.

Em nota enviada após a divulgação da gravação entre Machado e Renan Calheiros, o Instituto Lula afirmou que “as arbitrariedades e violências cometidas contra Lula são de conhecimento público”. O texto menciona a condução coercitiva ilegal, escutas telefônicas, quebra de sigilo bancário e invasão da sua casa e de seus filhos.

Segundo o instituto, o diálogo “confirma o clima de perseguição contra o ex-presidente. Como em todos os outros vazamentos, não traz nada contra Lula”.

No diálogo gravado, Sarney prometeu ao ex-presidente da Transpetro que poderia ajudá-lo a evitar a transferência do seu caso para o juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba. Segundo o jornal, a ajuda seria “sem meter advogado no meio”.

“O tempo é a seu favor. Aquele negócio que você disse ontem é muito procedente. Não deixar você voltar para lá [Curitiba]”, disse o ex-presidente.

Machado ainda não é investigado formalmente no Supremo Tribunal Federal (STF), mas o procurador-geral da República Rodrigo Janot pediu a inclusão do nome dele no principal inquérito da Lava Jato. Machado presidiu a Transpetro, que é uma subsidiária da Petrobras, entre 2003 e 2015. Ele se desligou da petroleira após denúncias de envolvimento na Lava Jato.

Sarney teria manifestado preocupação sobre eventual acordo de delação premiada a ser fechado pelo ex-presidente da Transpetro. “Nós temos é que fazer o nosso negócio e ver como é que está o teu advogado, até onde eles falando com ele em delação premiada”, disse Sarney, segundo o jornal. Em seguida, Machado teria respondido que havia insinuações, provavelmente da Procuradoria-Geral da República, sobre uma delação.

Segundo a reportagem, Machado concordou de imediato que “advogado não pode participar disso”, “de jeito nenhum” e que “advogado é perigoso”. Sarney repetiu três vezes: “Sem meter advogado”.

A reportagem informa que a estratégia estabelecida por Sarney não fica inteiramente clara ao longo dos diálogos obtidos pelo jornal, mas envolvia conversas com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e com o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

O jornal informa, ainda, que Machado pediu que Sarney entrasse em contato com ele assim que estabelecesse horário e local para reunião entre eles e Renan.

“E o Romero também está aguardando, se o senhor achar conveniente”, teria afirmado Machado. Sarney respondeu que não achava conveniente. “Não? O senhor dá o tom”, respondeu Machado, segundo a reportagem.

Outro lado
A Odebrecht informou que não iria se manifestar. Veja a íntegra da nota de José Sarney:

Conheço o Senador Sérgio Machado há muitos anos. Fomos colegas no Senado Federal e sempre tivemos uma relação de amizade que continuou depois que deixei o Parlamento.

As conversas que tive com ele nos últimos tempos foram sempre marcadas, de minha parte, pelo sentimento de solidariedade, característica de minha personalidade. Nesse sentido, muitas vezes, procurei dizer palavras que, em seu momento de aflição e nervosismo, levantassem sua confiança e a esperança de superar as acusações que enfrentava.

Lamento que conversas privadas tornem-se públicas, pois podem ferir outras pessoas que nunca desejaríamos alcançar.

José Sarney

você pode gostar também Mais do autor

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.