PERIFERIA: O número de assalto em SP aumentou bastante e a culpa é da falta de policiais;

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Uma pesquisa divulgada pela Secretaria da Segurança Pública na sexta-feira (30) da semana passada revelou aumento de 8,7% nos casos de roubo na cidade de São Paulo no mês de junho, em comparação com o mesmo período de 2015. O órgão já registrava aumentos constantes mês a mês – em maio desde ano o aumento foi de 5,51%.

Mas o levantamento mostrou, também, que a incidência só foi maior nos bairros de periferia, enquanto regiões nobres e centrais registraram recuos no registro de boletins de ocorrência e maior índice de segurança pública. Para especialistas, os números denunciam a falha do Estado em distribuir o efetivo policial.

Dos 12.873 roubos notificados na capital, 103 foram registrados no 65º DP, no bairro Artur Alvim, na zona leste – delegacia com aumento de casos mais expressivo da capital paulista, 194,2% casos a mais. Em 2015, o mesmo distrito havia registrado 35 ocorrências – quase três vezes menos. A lista segue com os bairros de Jardim Mirna (180,3%), Parque São Jorge (124,1%), Vila Carrão (117,2%) e São Mateus (86,2%).




Na contramão do aumento de roubos em toda a cidade, 39 delegacias registraram queda nas notificações. A maior redução foi de 42,5%, no 27.º DP, de Campo Belo, localizado em região nobre da zona sul. Entre as dez melhores colocadas aparecem ainda as regiões do Alto da Mooca (42,4% de queda), Consolação (40,1%), Campo Grande (38%), Brás (36%), Itaim-Bibi (29,8%) e Vila Mariana (27 2%). Todos ficam em áreas de classe média e alta ou no centro expandido.

Especialista em segurança pública, o coronel José Vicente da Silva aponta que o resultado da pesquisa é reflexo da má distribuição de efetivo policial. “Os recursos devem ser correspondentes à demanda, mas não é o que acontece”, diz. De acordo com Silva, o planejamento falha também ao não considerar e reforçar o policiamento nas ruas e horários específicos em que os crimes acontecem. “Quando se percebe um aumento de 20%, já deve acender a luz amarela. Não pode deixar que os casos tripliquem.”

Para ele, a crise econômica não justifica o aumento dos roubos. “A polícia foi criada para cuidar dos efeitos e não das causas. Culpar a crise é inaceitável para a sociedade.” O especialista destaca ainda que a rotatividade de policiais em delegacias e batalhões de áreas distantes, em geral é alta, dificultando um trabalho preventivo continuado.

A cientista social Camila Caldeira Nunes Dias, da Universidade Federal do ABC (UFABC), concorda com Silva e acrescenta que o aumento de roubos na periferia é resultado de uma “oferta diferencial de segurança”. “Claramente, o Estado tem uma preocupação muito maior em manter a segurança em bairros de classe média e alta”. “A atuação em bairros periféricos é muito marcada pela repressão. Essa população não é vista como pessoas que devem ser protegidas.”

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública afirmou, em nota, que a análise é “incorreta”. “O levantamento feito pela Coordenadoria de Análise e Planejamento mostra que houve aumento e redução de ocorrências destes indicadores criminais em distritos de todas as regiões da capital.”
A Secretaria também negou problemas na distribuição do patrulhamento. “O setor de inteligência da Polícia Militar acompanha semanalmente os dados estatísticos para elaborar os planos de policiamento e segurança, que levam em consideração o tipo de crime, quantidade de ocorrências e modus operandi criminoso.”



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