Sabatella: “Esse governo não é legítimo e Temer é um traidor”; CONFIRA!

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No domingo, dia 31/7, a atriz Letícia Sabatella, uma das mais talentosas de sua geração, estrela de filmes, minisséries e novelas de TV e peças de teatro pelos quais sempre recebeu os mais calorosos aplausos do público e da crítica, sofreu um linchamento moral em Curitiba, sua cidade natal, que só não degringolou em algo pior ainda graças à sua atitude pacifista, à sua firmeza, às pessoas que a protegeram e à pronta intervenção da polícia.

Nessa entrevista exclusiva ao 247, ela conta, em detalhes, tudo o que aconteceu naquele dia – “teve um senhor que estava pintado que jogou tinta, me segurou no braço… teve a senhora que instigou tudo aquilo… as senhoras que provocaram aquilo… um linchamento entre aspas, um linchamento moral… eu tentava chegar no olho de algumas pessoas e falar ‘tá errado isso que você está falando… eu não fiz isso o que você está dizendo… eu não sou uma ladra… não roubei dinheiro de nada… nem usei dinheiro da Lei Rouanet’…”

E tudo o que pensa a respeito da divisão instaurada pelo discurso do ódio: “Isso não é possível, isso não é sustentável, um apartheid… não é sustentável um país assim, esse nível de intolerância não é suportável”. “Eu acho que esse impeachment de alguma maneira é um golpe também por isso… ele não tem o intuito de melhorar a situação do nosso país, pelo que estou vendo ele acirra mais essa exclusão dos mais pobres, ele acirra as desigualdades”.

“Acho que esse governo não é legítimo. Não é legítimo. Ele é traidor. É um governo que traiu a pátria com a mudança total do projeto do governo que foi eleito. Que não quer combater a corrupção, ao contrário… tem corruptos ali… e inelegíveis… acho que é uma hipocrisia”… Mas ela acha que nem tudo está perdido: “Eu não tenho certeza se esse impeachment vai passar… Você não destrói facilmente uma força que é tão essencial da humanidade. A força do amor, a força da justiça, a força do desejo de uma sociedade justa”.

O que aconteceu lá em Curitiba?

Aconteceu que, depois de eu sair da minha casa depois de me recuperar de um resfriado forte – fiquei com febre na noite anterior e tudo…

Você é de lá mesmo?

Eu sou de lá mesmo…eu fiquei em casa até mais tarde justamente porque eu estava me recuperando, geralmente num domingo de manhã eu saio com a minha família, a gente vai no Largo da Ordem, ver um concerto, a gente vai ver uma orquestra como se fosse nossa missa…mas aí, quando eu desci, eu pensei em passar mais tarde na manifestação contra o impeachment e quando eu passei na frente do teatro Guaíra estava acontecendo uma concentração da manifestação pró-impeachment e eu passei olhando os cartazes que estavam no Guaíra que estavam pedindo a volta da Polícia Militar, eu fui passando e veio uma senhora amistosamente falar comigo, com sorriso, falando normal e eu fui conversar com ela, uma senhora, dar atenção a ela, não era porque ela estava vestida de verde e amarelo que eu precisaria ser grossa ou ignorá-la. Parei para conversar com ela, no começo era uma coisa amistosa, ela falou “você não vai vir na manifestação”? “Não, eu vou almoçar, se eu for eu vou na outra manifestação”… falei para ela sinceramente. Nisso ela foi chamando as amigas dela, e elas começaram a falar “ah, tira uma foto com a gente”, eu falei “deixa eu passar” e elas foram me enredando, me puxando e uma senhora mais autoritária queria muito forçar uma foto minha com aquele Pixuleco, aquele Lula presidiário, aí é que eu fiquei sabendo que o nome era esse, com uma bandeira e eu falei “não… por favor…”, mas elas foram me puxando e chamando outras pessoas, queriam me pintar, isso foi crescendo e isso foi um diálogo que estava durando um tempo, como eram senhoras eu tomei o cuidado de tentar sair com delicadeza, mas eu vi que a situação foi ficando meio tensa… eu fui desviando pro outro lado…

Você estava sozinha?

Estava sozinha… é, acho que é melhor até estar sozinha porque se alguém vai te defender vira uma briga…enfim, eles estavam querendo tirar um sarro, a coisa foi ficando mais agressiva, mais agressiva a partir do momento mesmo que a polícia, para me proteger, acabou dando mais argumentos para eles, talvez fosse uma técnica para lidar com aquele estado de histeria, os policiais perceberam que a população estava chegando e tentavam me proteger, mas eles foram crescendo mais ainda e gritavam e gritavam e jogavam coisas… tinta, né…quando eu vi que estava todo mundo com celular lá gravando a hostilização eu também liguei o meu celular pra mostrar o que eu estava vendo…até para ter uma defesa…ter uma versão, ter uma verdade do que estava ali…e aquilo eu acho que o celular também me esvaziou de uma outra emoção, reativa, natural que pudesse acontecer…de uma reatividade humana, enfim… embora eu não conseguisse sentir uma reação na mesma moeda porque eu percebia que eles estavam entrando em estado de inconsciente histeria… as pessoas tentando me reduzir, me xingando de várias coisas…por mais que falasse pra elas “não”… eu tentava chegar no olho de algumas pessoas e falar “tá errado isso que você está falando… eu não fiz isso o que você está dizendo…eu não sou uma ladra… não roubei dinheiro de nada…nem usei dinheiro da Lei Rouanet”… Não adiantava eu falar alguma coisa, eu percebi que as pessoas não estavam querendo argumentos, elas estavam querendo justificativas para agir da maneira que elas estavam impulsionadas a agir, fomentadas a agir… eu acho que elas estão recebendo esse aval através de vários discursos de ódio que se fazem pelo país…

É como o caso do impeachment também…tem provas que não houve crime, mas certos senadores insistem que houve crime… ela roubou o país…

Eu sinto que há essa necessidade de pegar um bode expiatório, de criar um bode expiatório para não resolver o problema, destruir aquele bode expiatório… mas você não resolve a crise assim. Acho que a gente tem que arregaçar as mangas e fazer realmente a reforma política, lutar contra a corrupção, prender os corruptos, os bandidos… entrar no âmbito jurídico e fazer o que tem que ser feito, não proteger ninguém de partido algum…

Sabatella, diz que irá continuar lutando por seus ideais.

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