TRAIÇÃO GERAL: Temer prometeu à Cunha apoio à Rosso e diz agora que Maia vai desarticular o centrão do deputado afastado;

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O resultado da eleição para a presidência da Câmara dos Deputados colocou na berlinda a continuidade do chamado “centrão”, grupo formado por deputados de partidos de média e pequena expressão e que apoiava o candidato derrotado Rogério Rosso (PSD-DF).

O cenário, neste momento, é de indefinição. Vamos ter que sentar e decidir, com maturidade, se vamos seguir juntos ou não. Até esse nome, ‘centrão’, ficou com uma imagem muito pejorativa”, afirmou o líder do PP, Aguinaldo Ribeiro (PB).

Ontem, o presidente em exercício Michel Temer (PMDB), que havia apoiado a candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou, em entrevista ao jornal Estado de São Paulo, que irá trabalhar para “desidratar o ‘centrão’”.

Reservadamente, parlamentares do bloco admitem que a vitória de Maia com diferença de 115 votos deflagra o início do fim do grupo pluripartidário, que se formou a partir de uma conjuntura política cujas características eram a fragilidade do governo de Dilma Rousseff no Congresso e a força de comando do deputado suspenso e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).




A bancada informal ganhou força sob a batuta de Cunha, que renunciou ao cargo no dia 7 deste mês, após pressão de parlamentares. O peemedebista impôs diversas derrotas ao governo Dilma, inclusive a maior delas, a aprovação da autorização para a abertura do processo de impeachment, que terminou por afastar a presidente.

“O ‘centrão’ vivia uma situação irreal de votar junto a atropelar tudo e todo mundo. Só que agora eles não têm mais o maestro, que era o Eduardo Cunha. Acabou”, resumiu Heráclito Fortes (PI), que é do PSB, partido que não integra o grupo.

Alguns dos principais nomes do “centrão” já admitem a possibilidade de o bloco perder força e unidade daqui para frente. O PR, por exemplo, um dos integrantes da ala, votou em peso no candidato do DEM. Para o governo Temer, o cenário é perfeito, sobretudo porque a perda de força do antigo baixo clero cria condições para que a pauta econômica do Planalto seja tocada com mais tranquilidade.

Líder do PTB, Jovair Arantes (GO) não escondeu o incômodo com as traições durante a votação de Maia para ap presidência. “Prefiro não fazer análises agora para não azedar o caldo. Sobre o futuro, não sei se o grupo seguirá com a mesma força e unidade, mas um número grande de deputados vai continuar junto, é da natureza se agruparem”, disse.

Ex-deputado pelo PR, Bernardo Santana (MG) participou das articulações que levaram seu partido para a candidatura de Rodrigo Maia. “Aquilo [o centrão] aconteceu porque havia um objeto, agora é diferente. Vamos ver o que acontecerá”, afirmou.




Caso desapareça, o “centrão” de 2016 seguirá os mesmos passos de seu homônimo da Constituinte (1987 e 1988), que acabou virando sinônimo de fisiologia e desapareceu como grupo orgânico na esteira da baixa popularidade do fim do governo de José Sarney (1985-1990).

O novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deu uma decisão ontem que praticamente encerra a CPI do Carf, impedindo que ouça novos empresários investigados sob suspeita de corrupção na Operação Zelotes. Órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, o Carf é responsável por julgar autuações aplicadas pela Receita Federal aos contribuintes.

Dentre os investigados, estão grandes doadores de campanha. Maia revogou determinação do seu antecessor, Waldir Maranhão (PP-MA), de prorrogar por 60 dias a CPI.

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