No sufoco, Temer antecipa volta ao Brasil depois de chamar Janot de “grampeador-geral da República”

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Com informações do G1 e Estadão:

O Palácio do Planalto divulgou nota na noite desta sexta-feira (1º) com críticas ao doleiro Lúcio Funaro, cuja delação aguarda para ser homologada pelo ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. Sob sigilo, o conteúdo dos depoimentos deve ser usado pela Procuradoria-Geral da República em uma eventual segunda denúncia contra o presidente Michel Temer.

Funaro é apontado pelas investigações da Operação Lava Jato como operador de supostos pagamentos de propina ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB). O doleiro também foi citado na delação do dono da JBS, Joesley Batista.

O texto do Planalto afirma que a “suposta segunda delação” do doleiro (ele já havia delatado nas investigações do mensalão) traz “inconsistências e incoerências próprias de sua trajetória de crimes” (veja a íntegra no final desta reportagem).

“Agora, diante da vontade inexorável de perseguir o presidente da República, Funaro transmutou-se em personagem confiável. Do vinagre, fez-se vinho. Quem garante que, ao falar ao Ministério Público, instituição que já traiu uma vez, não o esteja fazendo novamente? ”, diz o texto.

O texto chama Joesley de “grampeador-geral da República” e afirma que o delator escondeu e apagou áudios que estavam em seu gravador, mesmo assim ele continua com o “perdão eterno” do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. “Prêmio igual ou semelhante será dado a um criminoso ainda mais notório e perigoso como Lúcio Funaro?”, indaga o texto da Presidência.

Na expectativa de enfrentar uma segunda denúncia nos próximos dias, Temer decidiu antecipar em um dia a volta ao Brasil. O retorno estava previsto para quarta-feira, 6, mas ele agora chegará na terça, 5. A justificativa oficial é a de que Temer quer estar no País para acompanhar a votação da proposta de mudança das metas fiscais deste ano e de 2018.

Em conversas reservadas, no entanto, o presidente tem dito que, além de se defender no campo jurídico, precisa articular forte reação política à provável denúncia. Temer está em visita oficial à China e, na semana que vem, participará de encontro dos Brics – grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, em Xiamen.

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