Lula não se intimida com ‘mentiras’ de Palloci e anuncia ‘entrada’ em Minas com Pimentel

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Da Rede Brasil Atual

Na viagem de 25 minutos entre Teresina, capital do Piauí, e a cidade de Timon, do outro lado do Rio Parnaíba e em território maranhense, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou seu ônibus e subiu no que levava jornalistas da imprensa independente que cobriam a viagem desde o início no dia 17, em Salvador. Uma entrevista coletiva foi improvisada.




Lula comparou a atual edição da caravana com a de 23 anos atrás e disse que hoje as pessoas têm uma memória consolidada dos resultados de seu governo na vida dessas cidades e suas populações. Disse lamentar que o governo de Dilma Rousseff não tenha dado andamento ao projeto de regulação dos meios de comunicação que o ex-ministro Franklin Martins deixou pronto. “Lamentavelmente, não andou. Alguém foi buzinar no ouvido da Dilma.”




O ex-presidente sofreu com o calor que fazia dentro do veículo, mas não deixou de responder às perguntas. “Eu não tenho a menor preocupação com o que a grande imprensa está falando. Não fiz a caravana pra eles divulgarem. Fiz a caravana pra sentir como está o povo”, disse.

Lula comentou também sobre a importância do Brasil para a retomada do processo de integração em bloco da América Latina. E defendeu, caso venha a disputar a eleição em 2018, que seja proposto um plebiscito revogatório, para que a sociedade se manifeste sobre ações que vêm sendo executadas pelo governo Temer que devam ser anuladas,

Mas é preciso prestar atenção na correlação de forças, ele alerta. “Não adianta dizer que o Congresso Nacional não presta, que está podre. Esse Congresso é a cara política da sociedade no dia da eleição”, diz, observando também que não adianta eleger um presidente de esquerda com 60 milhões de votos e apenas 60 deputados – em 513. “Brinco sempre com os companheiros sem-terra: hoje no Congresso tem só três deputados deles, mas temos 200 deputados da bancada ruralista. É preciso que a gente transforme as nossas angústias e reivindicações em votos, para que possamos ter uma maioria para as reformas necessárias, senão só fica no discurso.”

Como está vendo esta caravana, em comparação com a Caravana da Cidadania (realizada em 1993). Como se sente, sendo quase um pop star?

Há uma diferença nas duas caravanas. Na primeira, era uma pessoa conhecida, mas não tinha tido ainda a experiência de governar o Brasil. O que mais me impressiona é que a imprensa tenta desmontar o legado da passagem do PT pelo governo, mas não conseguem. As coisas que mais ouço é que as pessoas têm na cabeça os valores das políticas de inclusão, a começar pelo Bolsa Família, que é o mais importante dos programas. Depois, a questão do emprego, dos salários, do PPA, do seguro safra, do Pronaf, do Luz para Todos. São programas que calaram fundo na alma das pessoas, e não há Globo da vida que consiga desmontar.

Uma coisa é a televisão tentar evitar que um cara que nasceu e morou na Avenida Copacabana ou na Avenida Atlântica, ou nas melhores avenidas de Salvador e de São Paulo, que já nasceu sobre o asfalto, com energia elétrica, com as conquistas que agora a gente está fazendo chegar nas pessoas pobres, compreenda a importância de um programa desses. Mas as pessoas que viviam na necessidade não esquecem. A caravana mostrou isso.

A segunda coisa que eu sinto é que houve uma evolução na sociedade, entre a primeira e a segunda. Houve conquistas no campo socioeconômico. E o que estão sentindo agora é que eles estão perdendo aquilo que foi o acúmulo de conquistas. Estão começando a perder com a diminuição de dinheiro do Bolsa Família, para o crédito estudantil. As diminuições dos recursos para a educação, para os programas, começam a dar resultado negativo na compreensão do povo. Essa é outra coisa que notei muito forte.

A outra coisa que notei, e fico agradecido, é que… Quando estava no sindicato ainda, todas as coisas que eu fazia de correto dizia que eu era o resultado do crescimento da consciência política dos trabalhadores. Na medida em que eles evoluíssem, eu evoluiria. Na medida em que eles involuíssem, eu também involuiria. Sinto que essas pessoas têm noção também que foi a participação delas que ajudou a gente a obter o sucesso que a gente obteve no governo, daí a gratidão que eles têm por nós.

Eles continuam agindo como se o povo não fosse povo, como se o povo fosse gado. Ou seja, o povo não tem sentimento, não tem necessidades, pobre é um dado estatístico e não tem que se dar importância para eles
Acredito que, em política, a gente não deva ficar acreditando em agradecimento, tem que ter consciência de que a gente é eleito para servir, independentemente de as pessoas agradecerem ou não. Se você está convencido que a política está dando resultado, precisa fazer sempre o seu melhor, como diz o jogador de futebol. Só dando o seu melhor para poder resolver os problemas.

Fico lisonjeado com a expectativa que as pessoas têm de que a gente possa resolver a crise brasileira. Estou convencido que podemos resolver a crise. A crise que nós estamos vivendo, no Brasil, é, primeiro, uma crise de compromisso. As pessoas que estão exercendo os mandatos não têm compromisso com o povo brasileiro. A segunda é uma questão de credibilidade. É um presidente que não tem legitimidade para falar com a sociedade, portanto, ninguém leva a sério. Terceiro, é que eles fizeram uma opção de atender o mercado naquilo que o mercado entende que deva ser destruído do ponto de vista das conquistas da sociedade. É uma coisa profundamente lamentável. Eles não têm dimensão do prejuízo para o país com a diminuição das políticas sociais. Não têm dimensão que a aposentadoria rural é a base do funcionamento da economia em milhares de municípios brasileiros, quase todos pequenos.

Eles continuam agindo como se o povo não fosse povo, como se o povo fosse gado. Ou seja, o povo não tem sentimento, não tem necessidades, pobre é um dado estatístico e não tem que se dar importância para eles. Estão muito mais preocupados em agradar a alguns agentes do mercado do que agradar ao povo. E eu tenho em mente que o povo é a solução para os problemas do Brasil, a única coisa que pode salvar a economia brasileira é esse povo voltar a ter financiamento, a ter crédito, a trabalhar e ganhar salário, para que ele possa fazer a economia voltar a funcionar. Fora disso, é só discurso.

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