Em BH, Bolsonaro é convidado de honra de recepção oferecida por condenado no mensalão

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Na passagem por Belo Horizonte em que garantiu aos fãs que dará a Minas Gerais uma passagem para o mar, Jair Bolsonaro foi a estrela de uma festinha oferecida por um empresário chamado Jader Kalid.




“O Mito Jair Bolsonaro com filhão foda Flavio Bolsonaro no nosso tradicional almoço mensal na sede da revista Exclusive, dia 15/setembro – sexta-feira. Ele é muito divertido. ? #bolsomito“, escreveu Kalid em suas redes.

Oficialmente, ele se declara diretor executivo da Revista Exclusive, Executivo na empresa Arrasa News e Director na empresa Tera Gestão e Empreendimentos ltda.




É um pouco mais que isso. Frederico Vasconcelos, colunista da Folha, explicou em 2015:

O doleiro Jader Kalid Antônio –acusado de haver integrado o esquema do mensalão– foi condenado a quatro anos e um mês de prisão em regime semi-aberto, por evasão de divisas, numa ação penal em que também foram condenados dirigentes do grupo empresarial Pif Paf Alimentos, que tem sede em Belo Horizonte. Os réus vão recorrer em liberdade.

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Em 2013, Jader Kalid Antonio foi denunciado à Justiça Federal de Minas Gerais sob acusação de evasão de divisas ao auxiliar o empresário Marcos Valério a enviar dinheiro para o exterior para o pagamento de serviços prestados pelo publicitário Duda Mendonça na campanha eleitoral do PT em 2002.

No último dia 11 de maio, o juiz federal Jorge Gustavo Serra de Macedo Costa –o mesmo magistrado responsável pela primeira fase do mensalão em Belo Horizonte– julgou ação penal em que o Ministério Público Federal denunciou os réus Avelino Costa, Luiz Carlos Mendes Costa, Gerson de Souza Raimundo, Jader Kalid Antônio, José Ivan de Lacerda e Kátia Cristina Ferreira Carvalho.

Eles foram acusados de inserir declarações falsas em escrituras públicas e documentos cadastrais de empresas ligadas ao grupo Pif Paf Alimentos, além de contratar o escritório de advocacia do ex-deputado federal Juvenil Alves para elaborar projeto de evasão fiscal.

A Pif Paf Alimentos é uma das maiores empresas brasileiras no setor de processamento de aves, suínos, massas e vegetais.

Segundo a denúncia, os réus –em conluio com Jader Kalid Antônio– promoveram a saída de divisas sem autorização legal e mantiveram depósitos no exterior –por meio de duas offshores, “Ellyde” e “Miloncross”– sem comunicação à Receita Federal e ao Banco Central.

O principal dirigente da empresa, Avelino Costa, foi condenado a quatro anos e três meses de reclusão, em regime semi-aberto. Seu filho, Luiz Carlos Mendes Costa, foi condenado a dez anos de reclusão, em regime fechado. Cabe recurso da decisão em liberdade.

Nos autos, a defesa de Kalid arguiu a inépcia da denúncia do crime de evasão de divisas. Alegou que teria servido apenas de escala para a prática de crimes tributários.

Os empresários alegaram que estariam sujeitos aos efeitos do parcelamento dos débitos, devendo a punição estatal ser suspensa até a quitação integral das dívidas.

A defesa do empresário Avelino Costa alegou que os crimes antecedentes mencionados na denúncia, indispensáveis para a caracterização do delito de lavagem de dinheiro, não integravam a redação então vigente da Lei 9.613/98.

Em depoimento perante autoridade policial, Jader Kalid Antônio admitiu “indicar aos interessados os caminhos para remessas de recursos ao exterior”.

Todos os réus deverão recorrer em liberdade, mas ficam obrigados a informar à Justiça qualquer viagem para o exterior.

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