AS PROVAS DE TACLA DURAN: Advogado “tem artilharia pesada” que pode explodir com a Lava Jato

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POR JOAQUIM CARVALHO DO DCM:

O advogado Rodrigo Tacla Durán prestará depoimento daqui a pouco na Comissão de Direitos Humanos na Câmara, resultado de uma corajoso e acertado convite apresentado pelo deputado Wadih Damous, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – seção Rio de Janeiro.

Será o segundo depoimento de Tacla Durán — o primeiro foi em novembro do ano passado, na CPI da JBS.

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Tacla Durán foi denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção e lavagem de dinheiro depois de ser insistentemente procurado para fazer acordo de delação premiada.

Teve contato com dois advogados do que agora se conhece por “panela de Curitiba”, aquele que reúne um grupo seleto de profissionais que costumam ter êxito nesse tipo de negociação.

Foi pressionado e orientado até a gravar reunião de advogados, que é protegida por sigilo profissional. No livro que começou a escrever, contando que essa proposta ilegal lhe foi feita por Marcelo Miller, quando este ainda era publicamente apresentado pela velha imprensa como uma profissional honesto e rigoroso na luta contra a corrupção.

A lenda criada em torno de Miller começou a desmoronar ao mesmo tempo em que se conhecia a outra face de Tacla Durán, não aquela apresentada pelas denúncias do Ministério Público Federal.

Hoje Miller é investigado por prestar serviços formais e informais a Joesley Batista, o milionário da JBS,

Não sei exatamente o teor do serviço prestado por Tacla Durán às empresas como a Odebrecht. Sei que ele tinha um escritório de advocacia em Alphaville, na Grande São Paula, e trabalhava com um grande número de advogados no Brasil inteiro, inclusive um amigo de Moro, Carlos Zucolotto Júnior.

Também sei que, apresentado como doleiro nas denúncias do MP, não vi prova de que fazia operações desse tipo, exceto depoimentos em delação premiada de corruptos confessos, como Rodrigo Pessoa, da construção UTC, e o diretor financeiro da mesma empresa, Walmir Pinheiro.

Depoimentos que foram colhidos de maneira não convencional – foram advogados da UTC que colheram o depoimento dos clientes como se fossem policiais. Usaram o mesmo estilo de redação e até jargão dos escrivães.

Essas peças estranhas foram encaminhadas como adendo a longos depoimentos que já tinham sido prestados pelos clientes Rodrigo Pessoa e Walmir PInheiro, nos quais o nome de Tacla Durán não aparecia.

O advogado, hoje “exilado” na Espanha, onde tem nacionalidade, disse ao pequeno círculo de amigos que possui que o nome dele foi pescado sob encomenda. Queriam, através dele, pegar a Odebrecht e, com esta na rede, implicar Lula.

Por isso, o adendo colhido pelos advogados, como se fosse um depoimento prestado em repartição pública.

Tacla Durán colaborou com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, fazendo o mesmo caminho da Procuradoria da República do Brasil e, inclusive, conversando com os mesmos interlocutores.

Prestava informação aos procuradores americanos quando Moro decretava sua prisão no Brasil. Os Estados Unidos ignoraram a ordem do juiz brasileiro, e os procuradores de lá deram demonstração de que, para eles, não eram só seus colegas no Brasil que tinham serventia. Tacla Durán era útil.

O depoimento dele ajudou na formatação de um acordo em solo americano, em que a Odebrecht aceitou indenizar países onde realizou obras e fez outros negócios, bancários inclusive, incluindo aí os Estados Unidos, o Brasil e outros países latino-americanos.

Dos Estados Unidos Tacla Durán viajou para a Espanha. Embora houvesse ordem de prisão contra ele, não foi incomodado.

Dois dias depois de chegar a Madri, foi, finalmente, preso, mas não pela ordem de prisão inicialmente decretada, mas porque Moro, vendo que seu primeiro mandado não estava sendo cumprido pelas autoridades estrangeiras, fez um segundo mandado e mandou direto para a Espanha.

Ele foi preso enquanto tomava café no saguão do hotel Intercontinental. Levado ao presídio Soto Del Real, permaneceu lá alguns meses antes que uma corte superior de Justiça, a Audiência Nacional da Espanha, considerou que, por ter cidadania espanhola, não poderia ser entregue às autoridades brasileiras.

Mas, se cometeu crime, a Espanha se dispôs a julgá-lo, mas com base nas leis de lá e, para isso, sugeriu ao Brasil que enviasse as provas contra Durán.

Por decisão de Sergio Moro, reiterada há algumas semanas, o estado brasileiro não enviou nada para a Espanha, o que indica que o juiz brasileiro talvez não esteja tão seguro do que o Ministério Público Federal tem em mãos.

Imagine-se a repercussão que haveria caso a Espanha, analisando a acusação contra Tacla Durán, a considerasse imprestável, e o absolvesse?

Talvez Moro não queira correr esse risco e, desautorizando uma juíza substituta que havia entendido que, dado o caráter impessoal que deve prevalecer no Judiciário, decidiu que o melhor a fazer era enviar o processo de Tacla Durán para Madri.

Moro, ao reassumir o posto, cassou a decisão da colega que o havia substituído.

Tacla Durán tem ainda outras informações que podem aumentar a pressão sobre a panela de Curitiba, pressão que aumentou depois que doleiros que trabalhavam para Dario Messer contaram que pagavam 50 mil dólares por mês a um advogado de Curitiba, Antônio Figueiredo Basto, para não serem citados em delação e contarem com proteção na Polícia Federal e no Ministério Público Federal.

Figueiredo Basto é um antigo frequentador da sala de audiência de Sergio Moro, desde o tempo do Banestado, quando Alberto Youssef, seu cliente, obteve os benefícios de sua primeira colaboração.

No que diz respeito especificamente sobre a violação de direitos humanos, Tacla Durán pode relatar a ameaça que os procuradores teriam feito de envolver sua irmã, advogada como ele, mas com atuação em outra área, não empresarial, caso não concordasse em delatar.

Durán não concordou, mudou-se para a Espanha e levou toda a família para lá.

Tacla Durán tem também informações que podem comprometer ainda mais Carlos Zucolotto Júnior, que trabalhou em processos para ele no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná — não federal.

Esse trabalho, em tese, poderia colocar Moro na condição de suspeito, já que a mulher do juiz, Rosângela, era apresentada como uma das advogadas do escritório de Zucolotto.

Com essa teia de relação exposta, Sergio Moro poderia se declarar impedido de julgar Tacla Durán, que, afinal, havia tinha tido relacionamento profissional com o escritório onde a mulher atuava.

O trabalho de Zucolotto para Tacla Durán foi confirmado por Moro, numa nota que divulgou quando a Folha de S. Paulo noticiou, no ano passado, que ele escrevia um livro sobre sua experiência com a lava Jato.

Segundo Moro, era para extrair cópias de processos na Justiça —é altamente improvável que Zucolotto fizesse esse tipo de serviço, mais comum no caso de iniciantes, dado que era sócio de um escritório conhecido na cidade.

Durán tem em mãos cópias de mensagens que evidenciam um papel mais relevante para Zucolotto nos processos de seu interesse em trâmite no Judiciário do Paraná, com procuração trocada inclusive.

Ocorre, porém, que essa procuração teria desaparecido de um processo em andamento no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, eliminado a prova do elo formal existente entre Zucolotto e Durán.

Tacla Durán, porém, tem em mãos elementos que provam que o documento foi juntado ao processo. E agora, se confirmado o sumiço do documento, ficará demonstrado que a panela de Curitiba, já detectada na Justiça Federal, especificamente na Vara de Moro, seria maior, um panelão de feijoada, com um pé Judiciário estadual também. Um panelão onde cabe todo tipo de carne, principalmente de porcos.

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