ATO DE COVARDIA: Bolsonaro “berrou” na Rede TV, chamou Lula de bandido e exigiu retirada de púlpito

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“Não vai ter púlpito para bandidos aqui, não”, gritou Bolsonaro, transtornado, ao constatar que no cenário do debate presidencial da RedeTv!, em São Paulo, havia um púlpito vazio destinado a Lula, que está preso injustamente há quatro meses em razão de um processo vastamente criticado por toda a comunidade jurídica internacional, minutos antes do início do programa. A imprensa brasileira não deu. O Le Monde, sim, em matéria assinada pela correspondente Claire Gatinois: Dans les coulisses, quelques heures après avoir considéré les critiques de son programme comme des « analphabètes », le candidat d’extrême droite, Jair Bolsonaro aurait lancé : « il n’y aura pas de pupitre pour les bandits ici, non ». Une référence à la place inoccupée par le candidat Luiz Inacio Lula da Silva, candidat à la présidentielle du Brésil malgré son emprisonnement pour des faits de corruption. Ce vendredi 17 août, dans les studios de la chaîne RedeTV à 22 heures, heure de Brasilia, le pupitre mentionnant le nom de Lula a bien été retiré in extremis pour ne pas froisser les débatteurs.

A chantagem do candidato da extrema-direita foi explícita: ou tiram o púlpito ou vou embora. O púlpito foi retirado. Oficialmente, a emissora informou que o retirara a pedido dos candidatos, e que somente Boulos defendeu a sua permanência.

Ao cortar Lula da foto, à la Stalin, Bolsonaro confirmou seu perfil autoritário e apontou quem é o líder da corrida presidencial. Bate-se em quem está acima e não abaixo.

Álvaro Dias, que prometeu 5% de crescimento do PIB em dois anos, sem explicar como, foi outro que atacou Lula pelas costas, embora ao vivo. “Essa candidatura é uma encenação, uma afronta, uma violência ao estado de direito. Vergonha nacional! Ele é inelegível. Essa candidatura não existe”!

Atacar uma pessoa que não pode se defender depõe contra o caráter do agressor. Chama-se covardia. Se Lula não pode participar dos debates, os candidatos deveriam abster-se de mencioná-lo, ainda mais da forma injuriosa como Bolsonaro fez nos bastidores – mas que chegou à imprensa internacional – e Álvaro Dias em rede nacional de tevê. Ele deveria ter no mínimo o direito de resposta, como os demais candidatos.

Marina, cada vez mais Le Pen, citou a Lava Jato em três de quatro respostas, sempre a favor, sem fazer qualquer restrição às suas ilegalidades e disputando com Dias o posto de melhor amiga da operação que transformou o Brasil em estado policial. Prometeu construir 1,5 milhão de casas com placas de energia solar. E criar, com esse projeto, “milhões e milhões de empregos”.

Seu melhor momento foi o cara-a-cara com Bolsonaro: “O senhor quer resolver tudo no grito e na violência”, bradou. E deu-lhe uma descompostura por ensinar uma criança a atirar, em episódio que viralizou na internet. Ele se conteve, mas partiu para o ataque pessoal: “A candidata é evangélica e defende plebiscito sobre aborto e liberação das drogas”. “O candidato não sabe que o estado é laico” rebateu ela.

Sempre que Bolsonaro abria a boca – parecia repetir frases que decorara – eu me sentia nos anos 60. Presidente bom é o que “vai acabar com o fantasma do comunismo”, disse ele, ignorando que o Muro de Berlim caiu há 27 anos. E que o único fantasma na área é a sua funcionária fantasma. Ainda ameaçou fazer na educação o que nem a ditadura militar de 64 sequer cogitou:

“O que se aprende nas escolas hoje? Ideologia de gênero. Sexo a partir dos seis anos. Eu vou colocar militares como diretores nas escolas públicas para impor a ordem”.

Sobre gays: “Um pai não quer chegar em casa e encontrar seu filho brincando com uma boneca”.

Como diminuir os estupros? “Castração química de estupradores”.

Solução para os problemas trabalhistas: “Vamos fazer tudo para que patrões e empregados sejam amigos”.

Como criar empregos? “Acabando com a corrupção e com a burocracia”.

Poderiam ser respostas de um sketch do Porta dos Fundos, mas não; isso aconteceu de verdade.

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