Reinaldo Azevedo: ricos aderem a Bolsonaro por ódio aos pobres e à diferença

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O jornalista Reinaldo Azevedo, conhecido por suas posições de direita e pelo apoio decidido ao golpe de 2015/16 reconhece: “É o liberalismo de Bolsonaro que seduz parte dos ricos e universitários? Não! É ódio a pobre e à diferença.” Este é o título de seu mais recente artigo publicado em sua coluna na página da RedeTV. “O Jair Bolsonaro ‘liberal’, no qual acreditam setores do mercado, é só uma invenção eleitoral oportunista em que o medo de pobre e de preto, compartilhado por setores da classe média e dos ricos, finge acreditar”, prosseguiu ele, na abertura do texto.

Ele escreveu ainda que o candidato fascista e seu economista, Paulo Guedes, não entendem “como funciona a democracia” e que a proposta de recriação da CPMF representa uma sobretaxa aos pobres: “O fato e que inexiste um ‘Bolsonaro liberal’. Existe é um Paulo Guedes que pode ser identificado com esse pensamento em economia, mas que dá mostras de não entender como funciona a democracia. A sua proposta mais clara sobre impostos, tanto quanto aquilo é claro, foi exposta em encontro privado de investidores, misturando unificação de impostos com volta da CPMF. As tentativas de desmentido soaram patéticas. Quando menos porque os impostos unificados não são universais — pagos por todos —, e a CPMF sim. Aritmética elementar: está sobretaxando o pobre, que já é, relativamente, quem mais paga impostos no Brasil.”

Prossegue Azevedo:

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“Então por que esse encanto com Bolsonaro? Ah, porque, como é mesmo?, é um homem ‘sem medo de dizer verdades’.

E, ora vejam, suas “verdades” nada têm a ver com economia ou política. Bolsonaro faz com que os preconceitos mais primitivos, mais incivilizados e potencialmente mais brutais se manifestem como coisa normal, corriqueira, como parte da vida. Afinal, ‘tem preto folgado mesmo’; ‘esses índios são uns preguiçosos’; ‘Maria do Rosário é mesmo feia’ (nego-me a reproduzir o resto do raciocínio até como caricatura); ‘bandido bom é bandido morto’; ‘brasileiro gosta é de mamata’; ‘essas pessoas penduradas no Bolsa Família são umas preguiçosas ou estariam trabalhando…’

Não é o liberalismo de Bolsonaro que seduz porque este, a rigor, não existe. A sua trajetória o prova. É a mobilização da besta do preconceito e do rancor instalada no fundo de algumas consciências.”

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