EFEITO TEMER: Eunicío Oliveira é derrotado no Ceará; CONFIRA!

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O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB), 66 anos, deixará o Congresso após duas décadas. Ele foi derrotado nas eleições deste domingo (7), sendo superado por Cid Gomes (PDT), irmão do presidenciável Ciro Gomes (PDT) e ex-governador do Ceará, e Eduardo Girão (PROS).

Eunício esteve na segunda colocação em todas as pesquisas feitas por Ibope e Datafolha durante a campanha, atrás apenas de Cid Gomes. Mas, nesta semana, Girão passou a ganhar votos após declarar apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) na terça-feira (2). O candidato do PROS é empresário e foi presidente do Fortaleza, time de futebol que hoje disputa a Série B do Campeonato Brasileiro. Por sua vez, Cid foi governador do Ceará entre 2007 e 2014 e ex-ministro de Dilma Rousseff.

Na disputa pelo governo, Camilo Santana (PT) foi reeleito para um novo mandato. Ele recebeu mais de 79% dos votos válidos, com 99% das urnas apuradas.

Com a derrota, o empresário deixa o Congresso após 20 anos. Ele foi eleito pela primeira vez em 1998 para ser deputado federal, sendo reeleito em 2002 e 2006. Neste período, o emedebista foi ministro das Comunicações (entre 2004 e 2005), durante o primeiro governo Lula. Em 2010, elegeu-se senador pela primeira vez. Quatro anos depois, ele concorreu para o governo do Ceará, mas perdeu a disputa no segundo turno para o agora aliado Camilo Santana. Agora, Eunício amarga a sua segunda derrota consecutiva, mas que o deixará longe do poder e sem foro privilegiado.

Eunício é investigado na Lava Jato, citado como suposto beneficiado por propinas da Odebrecht, do grupo J&F e da Galvão Engenharia. Por conta disso, foram abertos inquéritos contra o senador, que ainda estão em trâmite. O senador nega as denúncias. Sem o foro privilegiado, que perderá a partir da posse dos novos senadores em 2019, Eunício terá possíveis julgamentos feitos pela primeira instância e não mais pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Campanha do mal-estar

O resultado do presidente do Senado nas urnas é o capítulo final de uma campanha marcada por situações embaraçosas. O emedebista fez alianças informais com PT e PDT no Ceará e, apesar de não entrar na coligação do governador Camilo Santana (PT), o MDB ficou com a segunda vaga “informal” da chapa para o cargo. Assim, a situação causou mal-estar na família Gomes, dos irmãos Cid e Ciro. Ivo, prefeito de Sobral, apoiou declaradamente o presidente do Senado. Cid relutou no começo, mas posteriormente fez manifestações públicas recomendando o voto no emedebista.

A decisão revoltou Ciro, que é um desafeto declarado de Eunício e se recusou a subir no mesmo palanque do emedebista. O pedetista não poupou críticas ao senador, a quem chamou de “picareta” e “ladrão”. Outro mal-estar foi provocado com o PT, que abriu mão de uma candidatura próprio ao Senado para liberar o caminho para reeleição do emedebista – o senador José Pimentel teve de desistir do sonho de se reeleger.

Em troca, o governador foi favorecido com a retirada de uma candidatura do MDB para o cargo e a campanha de Camilo ainda recebeu doação de R$ 600 mil do presidente do Senado. O montante representa 14% do total arrecadado por Camilo, segundo dados divulgados até sexta-feira (5) no DivulgaCandContas, site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que registra informações de candidatos.

Para demonstrar sua aliança informal com o PT, Eunício declarou seu voto em Fernando Haddad em setembro e encontrou-se com o petista quando o presidenciável visitou o Ceará durante a campanha. Assim, o emedebista abdicou de apoiar o candidato do próprio partido à Presidência, Henrique Meirelles, na tentativa de aproximar-se do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba (PR).

O problema é que, em 2016, o presidente do Senado votou pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, sendo rotulado de “golpista” por parte dos petistas. Aos críticos, ele respondeu ser defensor de Lula, mas não das práticas do partido, e disse que teve de seguir a orientação do MDB no caso do impeachment da ex-presidente.

UOL

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