UNIÃO CONSOLIDADA! Frente partidária de apoio a Haddad deve ser consolidada até sexta-feira

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Hylda Cavalcanti, da RBA – O segundo turno da campanha de Fernando Haddad (PT) pode vir a marcar a criação de uma nova frente ampla no país, formada por políticos, acadêmicos e intelectuais de centro esquerda contrários ao candidato Jair Bolsonaro (PSL) e a favor da manutenção da ordem democrática. A frente está sendo articulada pelo ex-governador da Bahia e senador eleito Jaques Wagner (PT), que tem uma missão ambiciosa: reunir históricos adversários em torno da candidatura Haddad.

Wagner, que está em São Paulo, tem feito vários contatos e não esconde que pretende construir esse caminho ao lado de nomes como Ciro Gomes e Marina Silva, além do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ontem (9), a candidatura de Haddad conseguiu a formalização do apoio do PSB, que deixou livres para votarem de acordo com as suas alianças estaduais os diretórios de São Paulo, Sergipe e do Distrito Federal – onde haverá segundo turno para governador. Os demais integrantes vão apoiar o petista.

Nesta quarta-feira (10), é a vez do PDT, de Ciro Gomes se reunir para decidir como se posicionará. Os entendimentos entre petistas e pedetistas já estão adiantados desde a noite de domingo (7). Logo que saiu o resultado da eleição, Ciro confirmou que sua posição depende das forças que o apoiaram, mas que seu perfil é “contrário ao fascismo”, acenando para Haddad.

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Além disso, Wagner vem mantendo conversas com Cid Gomes, irmão de Ciro e senador eleito pelo Ceará, e o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), na estratégia de fazer com que, juntos, consigam convencer outros políticos do Nordeste a votar no PT – região em grande parte responsável pela ida de Haddad para o segundo turno.

A construção da frente também passa por pesos importantes no tabuleiro eleitoral de outras regiões. Wagner tenta estreitar relações com o candidato ao governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM); com o governador de São Paulo Marcio França (PSB), que disputa o segundo turno, e o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), outro que concorre à reeleição.

Wagner, o negociador

Para parlamentares do PT, Jaques Wagner é a pessoas mais indicada para conseguir fazer tamanha articulação, uma vez que é conhecida sua habilidade em negociar com políticos dos mais variados partidos. Recentemente, durante entrevista ao jornal O Globo, o senador eleito pela Bahia elogiou Fernando Henrique Cardoso, que já fez críticas a Bolsonaro.

Ele destacou que o ex-presidente “deu uma bela contribuição ao Brasil”. Afirmou, ainda, que “aprendemos a responsabilidade fiscal com ele (FHC)”. “É uma coincidência negativa da história que, em vez de ficarem juntos, PT e PSDB tenham polarizado um com o outro. Foram as melhores forças que surgiram no período democrático”, acrescentou.

Apesar disso, Fernando Henrique divulgou no início da semana que tende a não se posicionar em relação aos dois candidatos. Por meio do Twitter, foi taxativo: “Nem o PT nem Bolsonaro explicitaram compromisso com o que creio”.

Oficialmente, entretanto, o PSDB anunciou que permanecerá neutro em relação ao segundo turno, deixando livres os governadores para decidirem como acharem melhor. Há quem aposte que, em nome da biografia, FHC pode vir a se manifestar a favor de Haddad até o final da eleição.

Outras duas forças para reforçar a candidatura do PT parte dos integrantes do PSB de Pernambuco e do PCdoB no Maranhão. Em Pernambuco, o governador, Paulo Câmara (PSB), ligado à família do ex-governador Eduardo Campos, tem se esforçado para convencer prefeitos que estão indecisos.

No Maranhão, Wagner pediu ajuda ao governador, Flávio Dino (PC do B), outro que é conhecido pelo perfil agregador. A expectativa é de que Dino possa ajudar não apenas a puxar prefeitos do seu estado como também políticos que, embora sejam contra Bolsonaro, não decidiram se vão apoiar Haddad no dia 28.

Resolução e propostas

Em relação a Marina Silva as tratativas dependem de um longo caminho. A amigos, o novo articulador político da campanha de Haddad deu a entender, em conversas reservadas, que há possibilidade de conseguir o apoio dos parlamentares da Rede, inclusive com um silêncio velado por parte de Marina Silva que seria positivo para a campanha do PT.

Mas, no domingo, Marina demonstrou dubiedade. Ao mesmo tempo em que disse que fará oposição ao presidente que for eleito, “independentemente de quem ganhar”, teceu críticas a Jair Bolsonaro.

Ontem, a executiva nacional do PSB aprovou uma resolução de apoio a Haddad. Agora, a legenda se soma às outras que já têm apoios declarados à candidatura do PT, como o Psol de Guilherme Boulos e o PCdoB, legenda da candidata a vice, Manuela D’Ávila.

Segundo o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, a frente ampla é necessária e deve, a seu ver, “ser formada por todos os democratas e nacionalistas, instituições partidárias e da sociedade civil, para um projeto de desenvolvimento soberano e inclusivo”.

O PSB está elaborando uma carta com propostas para o país que será entregue a Fernando Haddad nos próximos dias. O cientista político Roberto Amaral, um dos fundadores do partido, já deu o recado a respeito de como deveria se posicionar o candidato petista. “Ele precisa falar com toda a sociedade, tem que ir para além do espectro lulista.”

Amaral avaliou que a situação observada hoje no país é similar à de 1964, de 1970 e 1984.”A questão não é apenas eleitoral, mas envolve também a resistência à maré da extrema-direita”, destacou.

Dentro da estratégia de intensificação das alianças, um novo perfil está sendo observado em relação a Haddad. O candidato tende a cada vez mais se posicionar como candidato do PT e não apenas como representante do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também tende a se aproximar de uma agenda comum a estes demais partidos que passarão a apoiá-lo. “Haddad agora é o candidato Haddad, não mais o substituto de Lula”, ressaltou Jaques Wagner.

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