EDITORIAL! Folha mantém a denúncia contra Bolsonaro, “Mentira que prolifera”;

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Mentira que prolifera

Dois terços dos votantes brasileiros possuem conta no WhatsApp, a rede social mais popular do país. Segundo pesquisa realizada pelo Datafolha em 2 de outubro, 44% dos entrevistados declararam ler notícias sobre política e eleições por esse meio, e 24%, compartilhá-las.

Os números bastam para constatar o peso adquirido pela rede na formação da opinião nacional —e, sem dúvida, nos rumos do pleito em curso. Ainda está por ser dimensionado, porém, o impacto do fluxo de informações enganosas, quando não inteiramente falsas, e mensagens difamatórias que chegam a todo momento aos usuários.

Antecipava-se, ademais, que a campanha deste ano constituiria um marco de importância global quanto às possibilidades de combate à disseminação de fake news. Até aqui, falhamos no teste, como qualquer frequentador de ambientes virtuais poderá observar.

Reportagem de Patrícia Campos Mello, desta Folha, mostra evidências aterradoras de como o que originalmente seria um aplicativo de conversas privadas se tornou uma arma do jogo eleitoral mais sujo.

Revelou-se que empresas estão a comprar pacotes de disparo em massa de mensagens no WhatsApp contra o PT e seu presidenciável, Fernando Haddad. Segundo a apuração, cada contrato chega a R$ 12 milhões, o suficiente para propagar centenas de milhões de textos, áudios, fotos, vídeos e memes.

Trata-se de prática ilegal, dado que há um beneficiário óbvio —o adversário de Haddad e favorito na disputa pelo Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro (PSL). Assim, a iniciativa corresponde a uma doação empresarial a um candidato, o que está vedado desde 2015. (…)
Diz a Fel-lha sobre a reação de Bolsonaro à reportagem de Patricia Campos Mello:

Bolsonaro nega controlar campanha de empresas no WhatsApp

O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, afirmou não ter controle sobre a compra de pacotes de mensagens de WhatsApp por empresas para disseminar material antipetista. A prática, ilegal, foi revelada pela Folha nesta quinta (18) e levou o PT a entrar com ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

“Não tenho controle se tem empresário simpático a mim fazendo isso. Sei que fere a legislação. Mas não tenho controle, não tenho como saber e tomar providência”, disse Bolsonaro ao site O Antagonista.

O candidato sugeriu que a ação viria de detratores: “Pode ser gente ligada à esquerda que diz estar comigo para tentar complicar a minha vida”.

Mais tarde, em transmissão em rede social, Bolsonaro reclamou do jornal: “A Folha, sempre a Folha. É um jornal que realmente cada vez se afunda mais na lama”, disse, acrescentando não ter necessidade de ajuda de empresários e acusando a Folha de estar “jogando no time de Haddad”.

A reportagem da Folha mostra que empresas como a varejista Havan estão bancando pacotes de milhões de disparos de mensagens no aplicativo com conteúdo crítico ao PT e preparam uma megaoperação para a próxima semana.

O dono da Havan, Luciano Hang, negou à reportagem ter conhecimento da prática.

A revelação levou o PT a entrar com ação no TSE contra Bolsonaro e seu vice, Hamilton Mourão, Hang, quatro empresas que trabalham com mensagens em massa (Quickmobile, a Yacows, Croc Services e SMS Market) e o Facebook, dono do WhatsApp.

“O presente caso trata do abuso de poder econômico e uso indevido dos veículos e meios de comunicação digital perpetrados pelos representados, uma vez que estariam beneficiando-se diretamente da contratação de empresas de disparos de mensagens em massa”, diz o documento.

Citando condutas vedadas pela lei eleitoral, a ação pede a inelegibilidade de Bolsonaro e a suspensão do envio de mensagens políticas por agências. Além do PT, o PDT vai entrar entrar com ação no TSE alegando fraude eleitoral, afirmou o presidente da legenda, Carlos Lupi.

O candidato do partido, Ciro Gomes, ficou em terceiro lugar no primeiro turno, e, ante as revelações, Haddad sugeriu disputar com ele a próxima etapa, dia 28. (…)

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