Presidente da CNI demonstra preocupação com Paulo Guedes na Fazenda

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Em entrevista ao Valor Econômico, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga Andrade, um dos empresários com maior acesso aos gabinetes de Brasília, critica a proposta de acumulação de poderes nas mãos de Paulo Guedes em um “superministério” da Economia em eventual governo de Jair Bolsonaro (PSL). “Não precisamos de um czar na economia”, afirma.

Ele se diz contra a incorporação do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços) pelo superministério da Economia, a ser liderado por Paulo Guedes, como está previsto no plano de governo de Bolsonaro. “Nós vamos colocar de novo esse posicionamento. Isso foi tentado na época do Collor e não deu certo. O mundo inteiro hoje está indo no sentido contrário. Em muitos países, inclusive nos Estados Unidos, um dos ministérios mais importantes é o da indústria. Alemanha e Inglaterra estão recriando os seus. China e Coreia tem ministérios da indústria. E o nosso, por que é importante? A indústria não pode estar ligada a alguém que pensa apenas no aumento da receita ou na redução das despesas. A Fazenda tem um papel específico, o Planejamento tem um papel específico”, opinou.

“Porque é alguém pensando no desenvolvimento industrial. A indústria brasileira representa 21% do PIB, 32% da arrecadação, 68% dos recursos investidos em ciência e tecnologia, salários acima da média. Quem vai defender as políticas industriais? A mesma pessoa que está pensando em aumento de imposto ou de receita? Se for assim, que criem logo um ministério só para tudo! Quando se ouve falar em extinção do MDIC, toda a indústria brasileira está preocupada. Isso tem que ser discutido, conversado, não precisamos aqui de um czar para resolver o problema todo da economia”, acrescenta.

Apesar das afirmações, ele faz elogios ao economista do candidato. “Já estive com ele poucas vezes, acho que é uma pessoa muito bem formada, preparada, economista com formação densa, tem as posições liberais que combinam com as propostas de Bolsonaro e acho que combinam com a necessidade do Brasil: mais mercado, menos Estado e menos burocracia”, declarou.

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