A vida dura de Bia Doria após suposta orgia do marido

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Por Nathalí Macedo

O suposto vídeo da suruba de João Dória é, na verdade, uma ilustração capciosa do quão difícil é a vida da mulher heterossexual de direita. E não estou falando só da performance sexual duvidosa.

O macho provedor tem o direito de agir como um sultão, e o máximo que as pessoas reparam é na meia bomba. Um homem casado, cidadão de bem monogâmico, “transando” (aqui entre aspas, porque o verbo não é tão amplo assim) com cinco garotas de programa não é um insulto para a sociedade que se escandaliza com homens se beijando na novela das oito – é confuso, eu sei, como quase tudo nesses tempos.

Os julgamentos se referem apenas à sua (falta de) performance.

Se fosse Manuela D’Ávila, estaria sendo virtualmente linchada sob preceitos morais.

A maioria das mulheres que se casa com conservadores não tem direito à autonomia – e acha realmente que isso é OK. Seu círculo social é composto basicamente pelas esposas de seus maridos, as mães dos amiguinhos de seus filhos, só mulheres de família, “gente de bem”.

Traições não são apenas frequentes, são tacitamente permitidas, mas só para os homens. Para eles, mais do que isso, trair é quase uma questão de honra: mesmo não dando conta nem de uma, o macho alfa precisa de cinco mulheres na cama na tentativa desesperada de autoafirmação pela via sexual.

Quando digo que os problemas dos conservadores, almofadinhas e autoritários têm como agravante uma certa crise de masculinidade, raramente sou levada a sério, mas, repare: toda essa obsessão por afirmar a heterossexualidade, toda essa aversão a homossexuais, “abraço hétero”, “Orgulho de ser hétero”… e essa mania de simular um objeto fálico (uma arma) fora do corpo? Pra mim isso é coisa de quem já não tem o próprio objeto fálico funcionando muito bem.

A cena da suruba é tão entediante quanto a figura sem si e seus gestos são constrangedoramente plásticos, nada é orgânico ou fluido, exatamente como se imagina que seja o enfadonho sexo dos caretas de nascença.

A naturalização desse escândalo, contraposta aos “valores da família” tão defendidos pelos conservadores, é um retrato nítido de sua hipocrisia, e o constrangimento de Bia Doria, diferente do de seu marido, escancara a condição humilhante imposta à maioria das mulheres conservadoras – que decidem se casar com conservadores, sob uma lógica conservadora, que é, por si, patriarcal.

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