DESPREPARO: ‘Se for necessário prender 100 mil, qual o problema?’, pergunta Eduardo Bolsonaro

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DO ESTADÃO CONTEÚDO:

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, 34, devia acompanhar o pai, o presidente eleito Jair Bolsonaro, em sua primeira visita ao Supremo Tribunal Federal (STF), na quarta-feira (7). Seu apartamento ainda guardava marcas na mesa da primeira reunião da equipe de transição, na noite anterior. Reeleito com 1,8 milhão de votos em São Paulo –o mais bem votado da história da Câmara–, o filho do presidente afirmou que vai lutar para tipificar como terrorismo os atos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) um dia depois de o futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, mostrar sua discordância sobre o tema. “Se for necessário prender 100 mil. Qual o problema?”, perguntou.

Eduardo Bolsonaro também quer tornar o comunismo crime. Defendeu uma idade mínima para a aposentadoria diferente entre trabalhadores braçais e de escritório e a aprovação do projeto Escola Sem Partido, além de propor uma Constituinte exclusiva para a reforma política. O parlamentar não descarta ser candidato a prefeito ou governador de São Paulo e almeja criar um Foro de São Paulo da direita. Eis sua entrevista.

Indicar Sergio Moro para a Justiça não dá munição ao PT para dizer que Lula foi perseguido?

Não vejo nenhuma perseguição ao PT. Ele condenou gente de todos os partidos. Não temos essa preocupação, pois eles sempre vão criticar.

O sr. disse que era preciso um presidente da Câmara com perfil de trator. O governo não quer negociar com a oposição?
Negativo. A oposição é saudável. O que não é saudável é você tentar a todo custo derrubar um governo só para que os seus correligionários cheguem ao poder. Com essa oposição, no qual se enquadram, principalmente o PT, PCdoB e o PSOL, não existe espaço para dialogar. Como vou dialogar com o MST invadindo terras? Não tem como. Agora, com assentado de reforma agrária que quer produzir tem como conversar. Com os demais – PSDB, MDB, PP – não tem problema.

Essa negociação incluiria as eleições das presidências do Senado e da Câmara?

Sim.

Com a manutenção de Maia?

Eu, pessoalmente, tenho a preferência por outros.

Capitão Augusto (PR-SP)?

Dei uma entrevista e elogiei ele. Tem outros que eu gosto: o João Campos (PRB-GO) e o Alceu Moreira (MDB-RS). E tem o Giacobo (PR-PR).

O mesmo vale para o MDB no Senado? Renan é um nome?

O Renan é um pouco mais complicado. Ele segurou a redução da maioridade penal e é favorável ao desarmamento. Ele foi o autor do projeto de nova lei de abuso de autoridade, que ficou conhecida na sociedade como uma lei para brecar a Lava Jato. Esse perfil é impossível obter nosso apoio no Senado.

O PT sempre foi criticado por ter radicais e agora o PSL começa a ouvir as mesmas críticas…

Por exemplo, quem?

Existem propostas defendidas, inclusive pelo sr., como criminalizar o comunismo?

Ué, o nazismo é crime?

Mas ele não colocaria dois partidos políticos fora da lei, o que entraria em atrito com a liberdade estabelecida na Constituição?

E vai continuar estabelecendo.

Esse tipo de proposta será levada adiante ou faz parte do passado, da retórica de campanha?

Não. É uma proposta que eu gostaria que fosse adiante, mas que depende de renovação do Congresso. É seguir o exemplo de países democráticos, como a Polônia, que já sofreu na pele o que é o comunismo. Se você for na Ucrânia também falar de comunismo, o pessoal vai ficar revoltado contigo. Outros países também proibiram, como a Indonésia. Um dos papéis dos parlamentares é conscientizar as pessoas.

Nos Estados Unidos o partido comunista é legal. O exemplo da democracia americana não é melhor para ser seguido do que o da Polônia e o da Indonésia?

Olha, nesse ponto, eu vou discordar. Os Estados Unidos já travaram durante a Guerra Fria um forte embate com os comunistas e graças a Deus os comunistas perderam. Talvez nunca tenham feito uma lei nesse sentido porque não tiveram um exemplo como o da Venezuela.

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