Imprensa internacional diz que Brasil desmoronou com Bolsonaro e não consegue ser uma democracia

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No jornal alemão Die Zeit, um artigo intitulado Apocalypse Brasil retrata nosso país:

Bolsonaro e seus apoiadores do âmbito militar e das igrejas evangélicas souberam usar com maestria a opinião pública fragmentada. (…) Por meio de uma campanha de desinformação sem precedentes e alimentada por voluntários, retrataram a recente história do Brasil como um desmoronamento cinematográfico, como a ruína na corrupção, violência e abandono.

Nós, na Europa, somos receptivos a essa narrativa porque ela confirma nosso olhar acostumado sobre a América do Sul. Perturbados, olhamos para um país que aparentemente não consegue ser uma democracia de verdade. O problema é que a Europa, independentemente de sua indignação superficial sobre a ascensão do fascismo e a ameaçadora catástrofe ambiental, compartilha – ao menos inconscientemente – dos interesses da elite brasileira no poder, o interesse na restauração da velha ordem.

É que uma revolução social profunda não acabaria apenas com o subdesenvolvimento estrutural do Brasil, a eliminação dos últimos redutos indígenas e do bioma mais importante do planeta. No longo prazo, também impediria que o Brasil jogasse soja e minério de ferro em grandes quantidades no mercado internacional, importando máquinas e carros alemães em contrapartida. Essa revolução restringiria a exploração fatal dos recursos naturais e colocaria em questão a ordem econômica global e pós-colonial.

Isso teria consequências indiretas também sobre nós. Não aconteceria apenas contra o egoísmo da elite brasileira, mas também contra o dos fabricantes de automóveis e produtores de carne europeus, que alimentam seus animais com soja barata. Também por isso, estamos inclinados a acreditar na espetacular história do colapso da democracia brasileira, uma história difundida por apoiadores de Bolsonaro na TV, nos jornais e via WhatsApp, para restaurar uma ordem social e familiar reacionária e para inflamar uma perseguição santa contra o PT, contra a comunidade LGBTQ e contra a ascensão social de afro-brasileiros.

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