GOLPE? Mourão: ‘Estou aqui para substituir o presidente’

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Uma declaração de sentido dúbio do general Hamilton Mourão em longa entrevista concedida à jornalista Míriam Leitão sobre seu lugar como futuro vice-presidente de Jair Bolsonaro: “Estou aqui para substituir o presidente, por isso acompanharei todos os assuntos de governo, pensarei em soluções, para estar preparado caso o presidente me chame para conversar”.

Qual o recado de Mourão? Está pronto para assumir se necessário? Qual a razão de uma declaração dessas? O general foi ainda mais adiante, colocando-se como alguém em prontidão: “por isso acompanharei todos os assuntos de governo, pensarei em soluções”. O fim da frase, “para estar preparado caso o presidente me chame para conversar” quer dizer exatamente o quê? Preparado para uma conversa com Bolsonaro?

A jornalista Míriam Leitão teve uma interpretação curiosa a respeito das frases de Mourão, na linha da tentativa das Organizações Globo de “normalizarem” Bolsonaro e o bolsonarismo: “Sobre seu papel no governo, disse que será o mesmo de qualquer vice-presidente”. Os principais quadros da Globo têm feito um esforço de lançar as declarações de Bolsonaro e de outros líderes do bolsonarismo num “liquidificador interpretativo” para venderem ao país uma versão adocicada e domesticada da extrema-direita nacional.

Mourão tem sido um dos polos da intensa luta interna em torno da formação do futuro governo e, segundo a leitura dos próprios bolsonaristas, teria sido o alvo do famoso tweet de Carlos Bolsonaro, no qual ele acusou “aos que estão muito perto” de desejarem a morte do pai, com um detalhe: “Principalmente após de sua posse”.

A morte de Jair Bolsonaro não interessa somente aos inimigos declarados, mas também aos que estão muito perto. Principalmente após de sua posse! É fácil mapear uma pessoa transparente e voluntariosa. Sempre fiz minha parte exaustivamente. Pensem e entendam todo o enredo diário!

— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) 29 de novembro de 2018
O estilo agressivo de Carlos, a quem o pai chama carinhosamente de “meu pitbull” (aqui), compõe uma personalidade que vê conspirações e tramas todo o tempo e em todo lugar. Mas não é apenas este perfil com traços paranoides que tem levado a confronto. Os outros dois irmãos Bolsonaro também investiram contra Mourão por considerarem que o general tentou “tomar as rédeas” quando o pai estava internado depois da facada em Juiz de Fora.

Além disso, Mourão tem dado declarações que contradizem intenções ou gestos do clã Bolsonaro em reação à política externa do país -ele é contra a visão ideológica radical de Eduardo Bolsonaro.

O militar deixou claro: está de prontidão.

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