Ciro sobre Queiroz: é uma questão de decência que Bolsonaro esclareça

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Em entrevista ao jornalista Florestan Fernandes Júnior, do El País, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT)afirmou que o discurso de posse de Jair Bolsonaro (PSL) foi “um arroubo de palanque que parte da premissa da ignorância do povo”. Ele se refere à suposta ameaça socialista apontada por Bolsonaro.

“Ele supõe que o povo é burro, incapaz de saber o que é socialismo. E, ao afirmar isso, esconjura na palavra socialismo todo o ranço conservador, que tem dois planos: conservadorismo de costumes e conservadorismo econômico. É uma tragédia, porque significa que o camarada, ao iniciar o Governo, anuncia que vai permanecer no palanque. Fica dizendo bobagens superficiais e se afirma num antipetismo também superficial”, avaliou Ciro.

Sobre o escândalo do Bolsgate, envolvendo o motorista da família Bolsonaro. Fabrício Queiroz, que movimentou R$ 1,2 milhão em sua conta e até agora não explicou a suspeita movimentação, Ciro Gomes disse que é preciso esclarecer.

“É imperativo, especialmente para quem assentou na sua identidade o moralismo e que tem a presença simbólica do (Sérgio) Moro, um juiz exibicionista, chibata moral da nação”, afirmou o ex-ministro que foi candidato a presidente em 2018.

Ele lembrou que Bolsonaro, como deputado, “já malversou verba do seu gabinete” e agora no caso do Queiroz, tem uma notícia crime em potencial.

“É uma questão de moral e de decência esclarecer isso. Até porque esta foi a pedra angular da campanha que deu ao Bolsonaro o mandato como presidente”, frisou.

Ciro ainda questionou pontos que merecem resposta diante das explicações apresentadas pelo próprio Bolsonaro para justificar o depósito de R$ 24 mil na conta de sua esposa, Michele Bolsonaro.

“Se Bolsonaro emprestou dinheiro ao tal Queiroz, cadê o cheque? Que dia foi? Essa foi uma nova operação Uruguai como a do Collor? Foi antes ou depois do escândalo, para tentar cobrir o episódio? Se foi um empréstimo, de onde saiu o dinheiro do Bolsonaro para emprestar? São coisas concretas relativas ao presidente. Sérgio Moro está obrigado a esclarecer isso à nação brasileira”, afirmou.

Apesar do tom, Ciro diz que é preciso deixar “o Bolsonaro tomar pé das coisas”. “Mas daqui a uns 100 dias, tenho toda uma plataforma por onde vou começar a cobrar. Porque foi este o papel que a nação deu a mim. O papel da oposição é estimular Bolsonaro ao jogo democrático, obrigá-lo a seguir a institucionalidade democrática”, disse.

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