Deputados do PT cobram de Doria esclarecimento do escândalo tucano do Metrô

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Por José Américo Dias e Paulo Fiorillo, deputados estaduais do Partido dos Trabalhadores

O novo governador de São Paulo, João Doria Junior, assumiu um sério compromisso com as populações de Jundiaí, Campinas, Americana e, naturalmente, da Capital, quando prometeu em entrevista a jornalistas do interior construir, em seus quatro anos de governo, o primeiro trem intercidades do Estado, cobrindo os 135 km que separam São Paulo de Americana. Seria promissor, não fosse o histórico de fracassos nesta matéria dos governadores anteriores de seu partido, Geraldo Alckmin e José Serra. Em épocas de eleições, prometeram. Em pós-eleições, esqueceram.

Admita-se, como boa vontade, que João Doria tenha aprendido alguma coisa em termos de Parcerias Público Privadas (PPP) em sua breve passagem pela prefeitura de São Paulo, especialmente na fracassada, problemática e suspeita PPP da iluminação pública da Capital, anulada pelo Tribunal de Justiça do Estado no começo de dezembro. Creia-se que, mesmo fazendo de seu secretariado uma sucursal do fracassado governo Temer, integrado por vários de seus ex-ministros, Doria possa, finalmente, trazer capitais privados para o trem intercidades. Somos céticos, mas vamos crer, e cobrar.

Para jogar inteiramente limpo com São Paulo, João Doria deveria se comprometer em abrir a caixa preta dos transportes públicos do Estado. Entre tantos problemas no metrô, no Rodoanel e na CPTM, os paulistas merecem respostas convincentes sobre o escandaloso problema do monotrilho na Capital.

Na Zona Leste, a linha 15 Prata, entre Vila Prudente e Cidade Tiradentes, num trajeto inicial de 26,7 km, que foi reduzido para menos de 17 km, vive um rosário de problemas. Atrasos de anos na entrega de estações; encurtamento do trajeto pela metade; problemas estruturais em três estações, por imprevidência de projeto, que ignorou a existência do córrego Mooca, subterrâneo; inadequação de composições da empresa fornecedora, entre outros problemas. Os custos explodiram e se aproximaram dos custos do metrô, que transporta três vezes mais passageiros. O valor do quilômetro construído do monotrilho saltou de R$ 204 milhões para R$ 354 milhões, ante R$ 500 milhões do metrô. Um negócio da China ao contrário, em prejuízo do orçamento público e do contribuinte paulista.

Na Zona Sul, a linha 17 Ouro foi privatizada no mesmo pacote de concessão do governo do Estado para a operadora CCR, que assumiu a Linha 5 Lilás do metrô. O projeto original previa 17,7 km, do Aeroporto de Congonhas ao Morumbi, com previsão de entrega na Copa do Mundo de 2014. Atrasos incontáveis, erros de projeto e outras falhas levaram o governo paulista a programar a entrega apenas para o fim de 2019, mas em apenas cerca de 7,7 km. O custo de construção explodiu para mais de 80% do valor inicial. A empresa malaia que forneceria os trens desistiu e, por enquanto,o que há é um esqueleto de monotrilho sobre a avenida Roberto Marinho.

Quanto à CPTM, as linhas vivem problemas agudos de manutenção e falta de investimentos. Trens são obrigados a correr a menos de 20 km por hora, em certas linhas, sob risco de descarilamento. No metrô, a última má notícia foi o cancelamento da PPP da linha 6 Laranja, entre a estação São Joaquim do metrô e a Vila Brasilândia, depois de consumir R$ 2,6 bilhões. Doria promete retomar as obras com dinheiro do Estado, mas o próprio orçamento de 2019 não destina recursos para isso.

Por fim, o padrão ético propalado por Doria tem pela frente um simples teste de veracidade, para não ser coisa da boca para fora. Cobramos que ele peça a divulgação do nome do correntista tucano que o Ministério Público suíço mandou para o Ministério Público federal. Afinal, R$ 43,2 milhões foram bloqueados pela Justiça da Suíça, mas o nome do dono do dinheiro ilegal encontra-se sob segredo de Justiça. Afinal, por quê? São Paulo tem o direito de saber. Depois de tanto apontar o dedo para o PT e o ex-presidente Lula, durante a última campanha eleitoral, Doria vai sentar em cima da sujeira no tapete de seus correligionários? São Paulo precisa saber.

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