Gleisi vai à posse de Maduro, enquanto Bolsonaro apoia golpe de estado no país

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A senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, participará da posse para novo mandato do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que acontece na próxima quinta-feira, (10) em Caracas.

Em nota, Gleisi argumenta que participará do ato, para deixar claro que o PT não concorda com a “política intervencionista e golpista” incentivada pelos Estados Unidos, com a adesão do atual governo brasileiro e outros governos reacionários. “Em qualquer país em que os direitos do povo estiverem ameaçados, por interesses das elites e dos interesses econômicos externos, o PT estará sempre solidário ao povo, aos que mais precisam de apoio. O respeito à soberania dos países e a solidariedade internacional são princípios dos quais não vamos abrir mão”, diz Gleisi.

Reeleito em maio do ano passado, Maduro venceu um pleito boicotadopor parte da oposição —outra parte foi impedida de concorrer. A Assembleia Nacional, Parlamento de maioria opositora, declarou que o novo mandato é ilegítimo e que, a partir do dia 10, Maduro estará “usurpando a Presidência”.

Por meio de seu chanceler, Ernesto Araújo, o presidente Jair Bolsonaro defende que Maduro deixe o poder e entregue o mandato ao Legislativo que foi eleito em 2015.

Leia, abaixo, a nota de Gleisi Hoffmann na íntegra:

Estarei em Caracas esta semana participando da posse de Maduro:

1. Para mostrar que a posição agressiva do governo Bolsonaro contra a Venezuela tem forte oposição no Brasil e contraria nossa tradição diplomática.

2. Para deixar claro que não concordamos com a política intervencionista e golpista incentivada pelos Estados Unidos, com a adesão do atual governo brasileiro e outros governos reacionários. Bloqueios, sanções e manobras de sabotagem ferem o direito internacional, levando o povo venezuelano a sofrimentos brutais.

3. Porque é inaceitável que se vire as costas ou se tente tirar proveito político quando uma nação enfrenta dificuldades. Trata-se de um país que tem relações diplomáticas e comerciais importantes com o Brasil. Impor castigos ideológicos aos venezuelanos também resultará em graves problemas imigratórios, comerciais e financeiros para os brasileiros.

4. Porque o PT defende, como é próprio da melhor história diplomática de nosso país, o princípio inalienável da autodeterminação dos povos. Nossa Constituição se posiciona pela não-intervenção e a solução pacífica dos conflitos. Os governos liderados por nosso partido sempre foram protagonistas de mediações e negociações para buscar soluções pacíficas e marcadas pelo respeito à autonomia de todas as nações.

5. Porque somos solidários à posição do governo mexicano e de outros Estados latino-americanos que recusaram claramente a posição do chamado Grupo de Lima, abertamente alinhada com a postura belicista da Casa Branca.

6. Porque reconhecemos o voto popular pelo qual Nicolas Maduro foi eleito, conforme regras constitucionais vigentes, enfrentando candidaturas legítimas da oposição democrática.

7. Em qualquer país em que os direitos do povo estiverem ameaçados, por interesses das elites e dos interesses econômicos externos, o PT estará sempre solidário ao povo, aos que mais precisam de apoio. O respeito à soberania dos países e a solidariedade internacional são princípios dos quais não vamos abrir mão.

Gleisi Hoffmann
Presidenta do PT

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