Boechat recusou convite de Silvio Santos e até da CNN pela Band, diz colunista do Uol

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O jornalista Ricardo Boechat, que morreu na segunda (11) aos 66 anos na queda de um helicóptero na Grande São Paulo, havia renovado contrato com a Band em dezembro.

O novo contrato tinha duração de um ano.

Para os padrões da TV aberta e de seu status dentro dela, era um acordo curto. Era assim devido à enorme crise financeira que se abate sobre a Band nos últimos anos.

emissora não tem condições financeiras de fazer contratos de longa duração. Boechat renovava o seu anualmente.

A questão é que, um mês antes, em novembro, ele foi ao por ao menos duas vezes procurado pelo alto escalão da futura CNN Brasil.

E mais:

Em 2017, Boechat recusou SBT para não prejudicar a Band

Relembre a trajetória de Ricardo Eugênio Boechat (1952-2019)

A coluna apurou que a CNN lhe fez uma proposta praticamente em aberto: salário várias vezes maior que o atual da Band (que já é excelente, diga-se), contrato de três anos e o posto de principal âncora da nova emissora, que deve estrear no segundo semestre.

Exatamente assim como fez com o SBT no final de 2017, Ricardo Eugênio Boechat disse ao interlocutor da CNN em novembro último que se sentia imensamente honrado com o convite e o posto oferecido.

Mas, que, no momento, não podia “abandonar o barco” na Band, que a emissora enfrentava dificuldades “gigantescas”; que ela, Band, vivia um momento “terrível” e que sua saída agravaria a situação ainda mais, assim como a de dezenas de profissionais vinculados a ele.

Cerca de duas semanas depois Boechat se reuniu com a cúpula da Band e, sem comentar o interesse da CNN Brasil, renovou seu contrato por mais um ano.

FAMÍLIA SAAD O ACOLHEU

Importante observar que o carinho (amor, na verdade) e a lealdade de Boechat pela Band tinha uma contrapartida. Ele sempre foi adorado por toda a família Saad.

Foi ela quem o acolheu em 2004, após três anos muito difíceis para o jornalista, que fora demitido espalhafatosamente pelo Grupo Globo em 2001.

O motivo foi um grampo telefônico que o mostrava falando com uma fonte (ligada ao empresário Nelson Tanure) a respeito de uma reportagem que publicaria no jornal “O Globo” no dia seguinte.

O jornal o demitiu dizendo que ele “feriu o código de ética da empresa”. Foi acusado de “escrever a serviço dos poderosos”.

Nada mais mentiroso. O grampo tirava tudo do contexto e também, ao ser publicado pela “Veja”, causou histeria.

Boechat aparentemente apenas estava checando com uma fonte (importante, vale dizer) se as informações que publicaria estavam corretas. Uma atividade básica e óbvia de quem pratica jornalismo.

De qualquer forma ele passou três anos muito difíceis até ser contratado como comentarista do “Jornal da Band”, em 2004, e depois como âncora principal da BandNews FM –chacoalhando o rádio brasileiro.

Sua gratidão pelos Saad permaneceu até o dia de sua morte.

OUTRO LADO

Em nota enviada nesta quarta-feira, Douglas Tavolaro, sócio da CNN Brasil, negou que tenha procurado Boechat em novembro.

“Não houve proposta da CNN Brasil a Ricardo Boechat. Em dezembro, quando da renovação de seu contrato com a Band (segundo o colunista), não existia o canal nem mesmo a operação. Seria uma enorme honra para a CNN Brasil ter entre seus quadros um dos maiores jornalistas do país, que tinha uma relação próxima com CEO e os vice-presidentes da emissora. Lamentavelmente não houve tempo para que uma proposta ocorresse nos próximos meses.”

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