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Analistas de política internacional falam sobre tensão na fronteira com Venezuela; confira avaliações

por Portal Click Política



Professores apontam risco de uma escalada de hostilidades. Integrantes do governo dizem que Brasil não tomará iniciativa de ação agressiva contra o regime de Nicolás Maduro. Fronteira do Brasil com a Venezuela está fechada em Roraima
A decisão do governo Nicolás Maduro de fechar a fronteira da Venezuela com o Brasil é grave e abre margem para uma escalada das hostilidades, segundo avaliações de três especialistas em relações internacionais ouvidos nesta sexta-feira (22) pelo G1.
A fronteira da Venezuela com o Brasil amanheceu bloqueada por tempo indeterminado nesta sexta por determinação do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Ele determinou o fechamento para tentar barrar a ajuda humanitária oferecida pelos EUA e por países vizinhos, incluindo o Brasil, a pedido do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó. Maduro vê a oferta dessa ajuda como uma interferência externa na política da Venezuela.
Ministro Augusto Heleno diz que o Brasil não fará ação agressiva contra a Venezuela
Integrantes do governo afirmaram nesta sexta-feira (22) que o Brasil não tomará nenhuma iniciativa agressiva contra a Venezuela.
O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, afirmou que o Brasil “não vai fazer nenhuma ação agressiva” contra a Venezuela (veja no vídeo acima).
O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que só vê risco de confronto se o Brasil for atacado. “Mas Maduro não é louco a esse ponto”, declarou.
“Queremos reforçar que a operação de ajuda tem caráter exclusivamente humanitário”, afirmou o porta-voz do presidente Jair Bolsonaro, Otávio Rêgo Barros. Ele ainda declarou, ao ser questionado sobre o tema, que o governo brasileiro “não confirma o pré-posicionamento de mísseis” por parte da Venezuela. Ele também afirmou que não há avaliações sobre combates. “Nós não conjecturamos poder de combate”, disse.
Confira as análises dos especialistas:
Pedro Feliu, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP) – “A escalada é visível, há margem para desembocar em algum atrito militar. Não sei se intervenção de fato ou, no limite, uma guerra, mas o fechamento da fronteira foi um ato diplomático exacerbado, é uma situação de crise que pode ir para algo pior”, disse. Feliu afirmou que determinações de fechamento de fronteira são extremamente incomuns na região e que a decisão foi tomada por Maduro porque a eventual permissão da chegada de ajuda internacional via Roraima fortaleceria a oposição na Venezuela, liderada por Juan Guaidó.
Dawisson Lopes, professor de Política Internacional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – Para Dawisson Lopes, o fechamento da fronteira é “uma demonstração explícita de hostilidade com o Brasil” por parte de Maduro. “Literalmente o que ele [Maduro] fez foi riscar o chão e dizer: ‘Se passar, as consequências podem ser graves’”, apontou Lopes. Na avaliação do professor, a reação do presidente venezuelano se deve ao fato de o Brasil ser um dos atores mais importantes de “uma concertação hemisférica liderada pelos Estados Unidos que, em algumas falas, flerta com a possibilidade de intervenção militar” na Venezuela. No início de fevereiro, por exemplo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que enviar militares para a Venezuela é uma possibilidade para o governo americano para pôr fim à crise política, econômica e humanitária na Venezuela.
Carlos Eduardo Vidigal, doutor em Relações Internacionais e professor do departamento de História da Universidade de Brasília (UnB) – O professor Carlos Eduardo Vidigal disse não haver registro, na história recente brasileira, de escalada como a deste momento. Para ele, a reação de Caracas de fechar a fronteira foi “natural” diante das ações internacionais visando a desestabilização do governo Maduro, que enxerga o governo brasileiro como “inimigo”. “A política [externa] brasileira sempre foi de cordialidade, não de conflito, confrontação, ameaça. O que temos é novo”, disse Vidigal.

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