Em nova parada de giro sul-americano, Guaidó chega ao Equador




Opositor de Nicolás Maduro visita quinto país esta semana em busca de mais apoio para tentar derrubar regime chavista. Juan Guaidó chega a Guayaquil, no Equador
Reprodução/Twitter/Presidência do Equador
O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, chegou a Guayaquil neste sábado (2), onde se encontrará com o presidente equatoriano Lenín Moreno.
Trata-se de mais uma parada na turnê do opositor de Nicolás Maduro pela América do Sul. Ele já esteve na Colômbia, no Brasil, no Paraguai e, na última parada, na Argentina, onde se reuniu nesta sexta com o presidente Mauricio Macri.
Guaidó é esperado por seus seguidores na Venezuela, mas corre o risco de ser preso por desobedecer a proibição de sair do país.
Seu retorno, possivelmente na segunda-feira, é um desafio para Maduro, que deve decidir se vai prendê-lo e provocar uma forte reação internacional ou deixá-lo entrar no país com tranquilidade, minando sua autoridade.
“Por um lado, temo que ele retorne e o coloquem na prisão e teremos outro Leopoldo (López). Mas, por outro, quero que ele volte com a esperança de que o país mude”, disse Iskia Urdaneta, uma advogada de 37 anos, em referência ao mentor de Guaidó, que cumpre uma pena de quase 14 anos, atualmente em prisão domiciliar.
Reconhecido por mais de 50 países como presidente interino, Guaidó deixou a Venezuea há 10 dias para assistir a um festival na cidade fronteiriça colombiana de Cúcuta e apoiar a entrada de ajuda humanitária. Ele prometeu retornar, “apesar das ameaças”, para continuar com sua estratégia de conseguir um governo de transição e eleições “livres”.
“Ele vem com mais apoio internacional, apoiado pelos Estados Unidos e sua ameaça de agir mais fortemente se o tocarem, mas corre o risco de ser preso ou ter sua integridade física agredida”, disse à AFP o cientista político Luis Salamanca.
Os Estados Unidos, que não descartam uma opção militar na Venezuela, alertaram que, se algo acontecer a Guaidó, haverá “sérias consequências”.
“O governo terá que avaliar os custos e isso dependerá da credibilidade dos Estados Unidos em dar um passo além da retórica”, disse Felix Seijas, do escritório Delphos.
Vencer o medo
Maduro disse há poucos dias que Guaidó, chefe do parlamento de maioria opositora, deveria “respeitar a lei” e que, se voltar ao país, “terá que ver a face da justiça”.
A Suprema Corte de Justiça (TSJ) e a Procuradoria-Geral, aliadas do governo, abriram investigações contra Guaidó, acusando-o de “usurpação” de funções e determinaram, além do impedimento de saída, o congelamento de seus bens. No entanto, até agora ele não foi formalmente acusado.
“Sua vida corre perigo porque não há Estado de direito neste país, mas Maduro não é um bruto, ele sabe que está cercado. Guaidó não está sozinho, ele tem apoio internacional, embora não queiramos uma intervenção militar”, disse Solibet Hernández, um comerciante de 46 anos.
Para Luis Quintero, um professor de 64 anos que é um seguidor de Maduro, o opositor “deveria ter uma ordem de detenção e deverá responder em juízo assim que pisar em território venezuelano”.
“É hora de vencer o medo. Seu retorno será uma etapa crucial na mudança que está chegando, Guaidó representa a esperança, e qualquer ação tomada contra ele pode ter sérias consequências para a ditadura”, disse outro venezuelano, Mauricio Marcano, de 32 anos.
‘Usurpador’
Guaidó, de 35 anos, se autoproclamou presidente em 23 de janeiro após o Congresso ter declarado Maduro “usurpador” por ter assumido em 10 de janeiro um segundo mandato que, como grande parte da comunidade internacional, considera ilegítimo e resultado de uma reeleição “fraudulenta”.
“Se ele não retornar, a ‘causa’ opositora sofreria um grande revés que teria que ser resolvido com grande habilidade. A capacidade de Guaidó de agir internamente é reduzida a convocação de concentrações e logo não haverá ‘material’ para manter esse espírito”, adverte Seijas.
Daniel Acosta, estudante universitário de 24 anos, diz acreditar “no que Guaidó está fazendo”, mas reconheceu que “se ele não vier, será uma nova frustração” para muitos.
Guaidó, que Maduro acusa de ser um fantoche dos Estados Unidos, foi detido em 13 de janeiro por quase uma hora pelo serviço de inteligência, episódio condenado por vários países e do qual o governo se distanciou, assegurando que os agentes agiram unilateralmente.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

For security, use of Google's reCAPTCHA service is required which is subject to the Google Privacy Policy and Terms of Use.

I agree to these terms.