‘Ninguém imaginava que aqui poderia ser alvo de terrorismo’, diz mineiro sobre ataque a mesquitas na Nova Zelândia




Ataques a duas mesquitas em Christchurch, na ilha sul do país, deixaram mortos e feridos. Natural de Uberlândia (MG), Hugo Silva Alvarenga conta sobre a reação e diz: ‘todos ficaram em choque’. Ferido é socorrido após ataque em mesquita no Centro de Christchurch, na Nova Zelândia, nesta sexta-feira (15)
Mark Baker/ AP
“Ficamos em choque. Ninguém imaginava que aqui poderia ser alvo de terrorismo”, disse Hugo Alvarenga, natural de Uberlândia (MG), que mora há cerca de três anos e meio em Christchurch, cidade na ilha sul da Nova Zelândia onde houve ataques a duas mesquitas que resultou em dezenas de mortes.
Em entrevista ao G1 nesta sexta-feira (15), ele contou que a maioria das pessoas ficou sabendo dos ataques por notícias online e ninguém imaginava o quão grave a situação era.
“Aparentemente, se tratava de um incidente com arma de caça, mas quando vídeo começou a espalhar, pais ficaram desesperados querendo saber dos filhos nas escolas; shoppings e supermercados tiveram a entrada restrita; voos regionais foram cancelados; hospitais, escolas e cidade toda ficaram fechados: ninguém entrava ou saía na tentativa de se proteger”, contou.
O uberlandense se refere ao vídeo do massacre que foi filmado por um dos assassinos e transmitido ao vivo pelo Facebook.
Os ataques aconteceram simultaneamente por volta das 13h30 de sexta-feira, horário local em Nova Zelândia (22h30 de quinta-feira no horário de Brasília) . Os alvos foram as mesquitas de Masjid Al Noor, ao lado do Parque Hagley, e de Linwood, que estava lotada com mais de 300 pessoas, reunidas para as tradicionais orações do meio-dia de sexta-feira.
“Eu só fui ficar ciente da gravidade da situação por volta das 15h. Eu tive que cruzar a cidade para buscar a minha namorada, e qualquer coisa no trânsito era algo para se desconfiar, porque sabia que o atirador poderia estar em qualquer lugar”, revelou Hugo.
Hugo é de Uberlândia (MG) e mora em Christchurch, cidade onde aconteceu ataque nas mesquitas
Reprodução/Facebook
Christchurch é a capital da região de Canterbury, na ilha sul da Nova Zelândia. É a 3ª maior cidade do país, com mais de 370 mil habitantes. Segundo Hugo, o país atrai muitos imigrantes por ser um local calmo. “A Nova Zelândia não tinha preocupação com esse tipo de ataque”, acrescentou.
Ainda segundo Hugo, a recomendação da polícia foi que a população ficasse em casa.
“A orientação foi de ficássemos em casa e nos protegermos até que se tenha mais clareza da situação. Aparentemente ainda estão buscando mais pessoas, pois escutei alguns helicópteros. Parece que o exército está na cidade. Vamos esperar amanhecer e ver as atualizações para saber se é seguro sair de casa”, contou.
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Resumo
Ataques a duas mesquitas na Nova Zelândia deixaram 49 mortos;
48 pessoas ficaram feridas, sendo 12 em estado grave;
4 pessoas foram presas;
A polícia não informou a identidade dos suspeitos e das vítimas;
Numa das mesquitas, um homem armado com um rifle automático disparou contra a multidão;
Usando uma câmera no capacete, o assassino filmou e transmitiu ao vivo o massacre;
O Facebook eliminou as contas do criminoso e trabalha para remover cópias do vídeo;
Na rede, o homem se identificou como um australiano de 28 anos, defensor da extrema-direita e contrário à imigração.
Ataques em Christchurch
Os alvos foram as mesquitas de Masjid Al Noor, ao lado do Parque Hagley, e de Linwood, que estava lotada com mais de 300 pessoas, reunidas para as tradicionais orações do meio-dia de sexta-feira.
Policial escolta fieis que deixaram uma mesquita no Centro de Christchurch
Mark Baker / AP Photo
Dos 49 mortos, 48 morreram no local e apenas um chegou a ser socorrido com vida, mas não resistiu. Entre os 48 feridos, há crianças e adultos. O governo informou que 12 dos feridos estão em estado grave e precisaram passar por cirurgias. O governo da Malásia afirmou que dois dos feridos são malaios.
Até agora, quatro pessoas foram presas: três homens (um deles seria australiano) e uma mulher. A polícia local informou, porém, que não está descartada a hipótese de que outros criminosos estejam envolvidos e foragidos. Nenhum dos suspeitos sob custódia estava em listas de observação da polícia.
A polícia não informou a identidade dos suspeitos e das vítimas.
Policiais tentam impedir circulação de pessoas pelas ruas de Christchurch
SNPA / Martin Hunter / Reuters
Vítima de ataque a mesquitas nesta sexta-feira (15), em Christchurch, na Nova Zelândia
Mark Baker/AP
Manifesto de extrema direita
De acordo com o jornal “The Guardian”, Brenton Tarrant, que se identificava como suspeito de um dos ataques, deixou um manifesto em que afirma ter 28 anos, ser australiano, defensor da ideologia de extrema-direita e anti-imigração. O documento de 74 páginas falava em genocídio promovido por brancos e uma lista com vários objetivos, incluindo a criação de “uma atmosfera de medo” contra os muçulmanos.
O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, confirmou que um cidadão australiano foi preso na Nova Zelândia. Porém, a polícia neozelandesa não confirma que o homem identificado pela imprensa está entre os detidos.
Ataques em mesquitas na Nova Zelândia
Juliane Souza/G1

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