O reino do caos




Parlamento britânico não consegue romper impasse sobre Brexit, apesar de May prometer renunciar se salvar o acordo com a União Europeia. Parlamento britânico durante sessão em que foram discutidas alternativas ao Brexit, na quarta-feira (27), em Londres
Mark Duffy/AFP/UK Parliament
Nem a promessa de Theresa May de que renunciará ao cargo se o acordo do Brexit for aprovado em sua terceira votação foi capaz de aplacar a turbulência que reina no Parlamento britânico. Paralelamente à decisão da premiê, nenhuma das oito propostas apresentadas como alternativas para a saída do país da União Europeia obteve a maioria de votos.
Resultado: o Reino Unido não tem estratégia para o Brexit a não ser o malfadado acordo de May. Do contrário, o divórcio será litigioso, sem acordo, no próximo dia 12.
Todas as tentativas de romper o impasse naufragaram. Incluem-se entre as propostas derrubadas pelos deputados um novo referendo — das oito, a que ganhou mais votos — uma união aduaneira e a revogação do Artigo 50, que interromperia o Brexit. Nada disso passou. O Parlamento, que tanto esbravejou para ter o controle do processo, ficou sem opção.
Sobrou o acordo negociado pela premiê com a União Europeia e rejeitado duas vezes com margens significativas de votos. O presidente do Parlamento, John Bercow, assegurou que não o submeteria a nova votação, a menos que sofresse alterações significativas. Mas, diante da falta de opções, não tem outra alternativa a não ser capitular.
May cedeu às pressões da ala radical de seu partido, que defende o Brexit com toda a sua rigidez. Pagou com o cargo o preço de ter seu acordo aprovado. Quem antes vociferava contra seu acordo, e tentou minar a premiê nos últimos dois anos, agora recua só para vê-la fora do processo.
“Eu ouvi muito claramente o humor do partido. Sei que há um desejo por nova abordagem e nova liderança e não ficarei no caminho”, explicou May aos deputados conservadores que não têm cargo em seu gabinete.
A premiê ainda precisa ganhar a confiança de 75 rebeldes conservadores e dos nacionalistas da Irlanda do Norte, que racharam sua coalizão no Parlamento, para salvar seu acordo com a UE.
“Eu não votaria nisso nem se colocassem uma espingarda na minha boca”, disse à BBC um dos rebeldes, o deputado Mark François, resumindo a hostilidade que ainda resiste na ala radical do partido.
Ninguém crava qual será o próximo capítulo desta trama desalinhavada. Deputados esticam a corda, caciques da União Europeia expõem sua impaciência. A costumeira desordem que marca todo o processo do Brexit ganha agora mais ingrediente para embaralhar o jogo e confundir seus espectadores: a escolha de um novo premiê com credibilidade para comandar o caos.

Arte/G1

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