Panamá tem eleições neste domingo com disputa acirrada em meio a escândalos de corrupção




Candidato independente ameaça sair à frente diante do cansaço crescente dos eleitores com a classe política do país. Os três principais candidatos a presidente nas eleições do Panamá, a partir da esquerda: o empresário pecuarista Laurentino Cortizo (Partido Revolucionário Democrático; social-democrata); o ex-chanceler e advogado Rómulo Roux (Mudança Democrática; direita); e Ricardo Lombana
Erick Marciscano/Reuters
O Panamá vai realizar neste domingo (5) eleições gerais nas quais um candidato independente ameaça sair à frente diante do cansaço crescente dos eleitores com uma classe política envolvida em escândalos de corrupção.
Sete candidatos disputam a Presidência, mas as pesquisas de intenção de voto apontam como favoritos o empresário pecuarista Laurentino Cortizo (Partido Revolucionário Democrático; social-democrata) e o ex-chanceler e advogado Rómulo Roux (Mudança Democrática; direita).
Perto deles, em terceiro lugar, aparece o independente Ricardo Lombana, que capitalizou a insatisfação com a corrupção da classe política.
Na pesquisa do instituto espanhol GAD3, divulgada há algumas semanas pelo jornal “La Prensa”, Cortizo tinha intenção de voto de 27,9%, Roux de 16,9% e Lombana de 15,3% (com 2,9 pontos de margem de erro), enquanto indecisos somavam 15,2%.
“Acho que a poucos dias das eleições ainda há muita gente indecisa e, portanto, em 5 de maio qualquer coisa pode acontecer”, disse à AFP Rita Vásquez, diretora do jornal “La Prensa”.
O vencedor substituirá o presidente Juan Carlos Varela, que deixará o governo com popularidade em baixa devido a quatro fatores, sobretudo:
desaceleração econômica;
aumento do custo de vida;
sensação de corrupção;
e crise de setores como saúde pública e justiça.
Cortizo e Roux: os dois favoritos
Cortizo, de 66 anos, foi ministro do ex-presidente Martín Torrijos (2004-2009), mas renunciou por controvérsias com o Acordo de Livre-Comércio entre Panamá e Estados Unidos.
Seu plano de governo é focado principalmente em melhorar a educação, reformar o Estado, impulsionar a economia, combater a pobreza e a desigualdade e melhorar a transparência governamental.
Roux, de 54 anos, ex-chanceler e ex-ministro do Canal do governo do hoje preso ex-presidente Ricardo Martinelli (2009-2014), focou sua campanha na reativação econômica, na criação de empregos, a redução de impostos e a destacar as conquistas que, para ele, a gestão de Martinelli teve.
Lombana: o independente
Foram convocados 2,7 milhões de panamenhos para eleger o presidente, 71 deputados, 82 prefeitos e outros 700 cargos locais.
As eleições ocorrem em meio a um crescente repúdio à classe política por vários escândalos de corrupção na Assembleia Nacional, onde deputados que acompanham Cortizo e Roux são apontados por suposto desperdício de dinheiro público.
Além disso, o Panamá foi afetado nos últimos anos por escândalos como os chamados Panama Papers, ou propinas da empreiteira brasileira Odebrecht.
O cenário aumentou as chances de Ricardo Lombana, que alcançou o terceiro lugar na corrida presidencial com um discurso feroz contra a corrupção e a liderança partidária.
Advogado e jornalista de 45 anos, Lombana propõe convocar um referendo para uma nova Constituição que subtrai o poder do presidente, limita o uso de fundos públicos e reforma da justiça. Também quer aumentar as penalidades por corrupção e evitar a prescrição deste tipo de crime.
“Ricardo Lombana alcançou crescimento para um candidato independente que não tinha conseguido antes, a ponto de ter se colocado como uma opção viável para um grande número de eleitores. Conseguiu capturar o voto de protesto, aquele que quer que o status quo mude”, disse Vásquez.
“O contexto de escândalos de corrupção no país é favorável para os candidatos de livre postulação em todos os níveis”, disse à AFP o diretor do Centro Internacional de Estudos Políticos e Sociais, Harry Brown.
O peso de Martinelli
O outro fator é o empate eleitoral que ainda pode ter o ex-presidente Martinelli, processado sob a acusação de espionar os oponentes durante seu governo.
Apesar de estar preso e também de ser investigado por escândalos de corrupção, o ex-presidente aspirava à Prefeitura da Cidade do Panamá e ao cargo de deputado, mas ambas as candidaturas foram anuladas na semana passada pelo Tribunal Eleitoral.
Alguns analistas acreditam que essa decisão pode “vitimizar” Martinelli, que liderava as eleições para prefeitos, e catapultar seu aliado Roux.
O ex-mandatário solicitou diretamente o voto para o seu “afilhado”, apesar das diferenças que surgiram entre os dois dentro do partido nos últimos anos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui