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Senado dos EUA tenta forçar filho de Trump a testemunhar sobre Rússia

por Portal Click Política




Senadores desconfiam que Donald Trump Jr. tenha mentido em depoimento. É a primeira vez que um filho de presidente norte-americano recebe citação judicial. Donald Trump Jr., filho do presidente Donald Trump, discursa durante um evento na Universidade Faulkner, no Alabama, em 2017
Brynn Anderson/AP
O Comitê de Inteligência do Senado dos Estados Unidos emitiu uma citação judicial para forçar Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente norte-americano, a testemunhar sobre seus contatos com russos. A medida vem em meio a suspeitas de que Trump Jr. poderia ter mentido aos legisladores sobre esse assunto, informou a imprensa norte-americana nesta quarta-feira (8).
A citação judicial é a primeira que o Congresso dos EUA emite contra um filho do presidente norte-americano, e confirma que o órgão legislativo mantém aberta a investigação sobre a suposta ingerência russa nas eleições de 2016.
Semanas atrás, o promotor especial Robert Mueller concluiu a investigação sem apontar conluio de Donald Trump com a Rússia. No entanto, o inquérito também não isenta o presidente de responsabilidade no caso.
O comitê de senadores tem maioria republicana – do mesmo partido de Trump. O grupo quer que Donald Trump Jr. volte a testemunhar diante deles, a portas fechadas, sobre as circunstâncias que rodearam o encontro que teve com a advogada russa Natalia Veselnitskaya em 9 de junho de 2016 na Trump Tower de Nova York.
Oposição acusa Trump Jr. de mentir
Donald Trump Jr. durante segundo dia da Convenção Nacional Republicana, em 2016
JIM WATSON / AFP
A oposição democrata acredita que, nas conversas anteriores com o Congresso, o filho do presidente pode ter mentido aos legisladores se informou ou não Trump que compareceria a essa reunião, de acordo com o jornal “The Washington Post”.
O encontro na Trump Tower – do qual também participaram o genro do agora presidente, Jared Kushner, e seu então chefe de campanha, Paul Manafort – foi o foco de parte da investigação de Mueller, mas o promotor concluiu que não havia provas de que a campanha republicana tivesse colaborado com a Rússia na sua suposta ingerência eleitoral.
No entanto, o relatório de Mueller indica que Michael Cohen, que durante a campanha de 2016 era o advogado pessoal de Trump, assegura que esteve em uma reunião na qual Donald Jr. disse ao seu pai que pretendia ir a um encontro “para obter informação desfavorável sobre [Hillary] Clinton”, a então candidata democrata.
“Pelo tom da conversa, Cohen pensou que Trump Jr. já tinha conversado antes sobre o encontro com seu pai”, afirma a versão liberada do relatório de Mueller.
Robert Mueller é o responsável pela investigação da suposta interferência russa nas eleições dos EUA
Reuters/Aaron P. Bernstein
Esse testemunho de Cohen intrigou o comitê liderado pelo senador republicano Richard Burr, porque entra em contradição com o testemunho que Donald Jr. deu em 2017, de acordo com o “Post” e “The New York Times”.
Burr está há várias semanas tentando programar uma sessão a portas fechadas com o filho mais velho de Trump, que agora se encarrega junto com seu irmão Eric de dirigir o conglomerado empresarial da Trump Organization em Nova York.
Finalmente, o senador republicano decidiu convocar judicialmente Donald Jr., que está “exasperado” por essa medida porque já tinha se oferecido “para continuar cooperando por escrito” com o comitê, segundo indicou ao “Post” uma fonte próxima ao filho de Trump.
O Comitê de Inteligência do Senado está pedindo a várias testemunhas que voltem a falar diante dos legisladores à medida que avança na sua investigação e em março, por exemplo, voltou a interrogar Kushner.

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