Índia pode virar oficialmente uma nação religiosa, diz cientista social




Professor da Universidade de York aponta que muçulmanos e hindus de castas baixas tendem a ficar mais vulneráveis se Narendra Modi conseguir maioria nas eleições, como apontam pesquisas. Eleitores fazem fila na cidade de Chandigarh para votar na última fase das eleições gerais da Índia
Ajay Verma/Reuters
Se o BJP, o partido do primeiro-ministro indiano Narendra Modi, conseguir maioria significativa no Parlamento nas eleições que terminaram no domingo (19), como indicam as pesquisas, o país pode se tornar oficialmente uma nação hindu, diz o doutor Indrajit Roy, professor da Universidade de York, no Reino Unido.
Indrajit Roy, professor da Universidade de York
Arquivo pessoal/Reprodução/Facebook
“Alguns dos membros do partido sugerem que podem tentar tornar a Índia um país oficialmente hindu. Para isso, é preciso uma mudança na Constituição, o que requer cerca de dois terços dos votos. Se precisar de partidos regionais, para formar uma coalização, a chance disso acontecer é menor”, explica.
Minorias em risco
Nos últimos anos, muçulmanos e hindus das chamadas baixas castas têm sido vítimas de linchamentos na Índia por negociarem ou comerem carne de vaca, diz Roy.
“É verdade que em muitos estados comer carne de vaca pode ser legalmente um crime, mas, mesmo assim, isso não dá direito às pessoas de fazer justiça pelas mãos. Pouco foi feito para coibir essas ações, e, se Modi tiver uma maioria muito confortável no Parlamento, a tendência é que essas minorias estejam ainda mais expostas”.
Muçulmanos se unem em orações prostrados em rua diante de uma mesquita de Srinagar, na Índia, no começo do mês de maio
Danish Ismail/Reuters
O homem forte
Modi fez uma campanha baseada no nacionalismo hindu, ainda que durante seu governo tenham havido mudanças econômicas importantes. Ele diminuiu a burocracia para as empresas operarem e implementou uma política para que os consumidores saibam quanto pagam de impostos, por exemplo.
“Essas foram medidas importantes, mas não apareceram nos discursos de Modi durante a campanha. Para ser eleito, ele falou de segurança nacional e identidade hindu”, afirma Roy.
A imagem de homem forte que Modi criou para ele mesmo convenceu os eleitores, que não enxergaram na oposição ninguém com capacidade para defender a Índia.
Em fevereiro, um ataque suicida matou 40 policiais na região indiana da Caxemira, um território que é disputado pelo país com o vizinho e Paquistão, com quem a Índia tem uma relação de antagonismo.
O atentado foi reivindicado por um grupo chamado Jaish-e-Mohammed, cujo propósito declarado é atacar o governo indiano por causa do controle da região da Caxemira.
A Índia diz ter retaliado com um ataque dentro do território paquistanês, onde afirma ter bombardeado um centro de treinamento dos terroristas.

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