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Por que a renúncia de Theresa May é dada como certa?

por Portal Click Política




Isolada e sem chances de aprovar seu acordo para o Brexit, premiê deve deixar o cargo antes do prazo acertado com conservadores. Premiê britânica, Theresa May, e seu marido, Philip, deixam nesta quinta-feira (23) local de votação para a eleição do Parlamento Europeu
Frank Augstein/AP
A saída do Reino Unido da União Europeia deixou a premiê Theresa May literalmente sem saída, e sua iminente renúncia é dada como certa por colaboradores e pela imprensa britânica. Sob pressão, após ser abandonada por Andrea Leadsom, líder do governo no Parlamento, May poderia deixar o cargo já nesta sexta-feira (23), segundo vaticinou o jornal “The Times”, em pleno processo eleitoral para as legislativas europeias.
Há quem vá além para justificar este apego final da premiê ao cargo: ela só estaria esperando até terça-feira, para não amargar o lugar de lanterna, atualmente em poder do trabalhista Gordon Brown, como o primeiro-ministro que ficou menos tempo à frente do governo britânico.
Numa das concessões que fez anteriormente para aplacar a revolta no Partido Conservador, May comprometeu-se a não participar da segunda etapa do processo do Brexit. Deixaria o governo assim que seu acordo com a União Europeia fosse aprovado. Insistiu para levá-lo ao plenário pela quarta-vez. E, por fim, chegou a sugerir um referendo sobre o documento, após a sua aprovação pelo Parlamento.
Foi a gota d’água para Andrea Leadsom — que disputou com ela o cargo de premiê e se tornou sua líder na Câmara de Comuns — jogar a toalha. “Mais um voto sobre o Brexit criaria perigosas divisões”, alegou Leadsom. Com esta demissão, já são 36 colaboradores diretos que abandonaram May durante o seu curto e conturbado governo, praticamente paralisado em torno do Brexit.
Se há algo que caracterizou esta gestão é sua capacidade de sobreviver a crises inimagináveis até então. May sofreu três derrotas consecutivas no Parlamento, a primeira delas humilhante, com uma diferença de 230 votos. A margem de dois dígitos seria suficiente para a renúncia. Mas, em tempos de Brexit, ela resistiu.
E assim, de derrota em derrota e após uma infrutífera negociação tardia com os rivais trabalhistas, May chegou isolada ao presente, que se traduz num futuro sem saída.
O partido aposta suas fichas no ex-chanceler Boris Johnson, que foi prefeito de Londres em dois mandatos e rapidamente se candidatou para substituir a premiê. Seria uma perigosa aposta, afirmou a revista “The Economist”, em seu editorial: Johnson tem um histórico nada encorajador, é caótico e foi “um terrível secretário de Relações Exteriores”.
Mas, de acordo com a revista, ao contrário de May, ele tem a capacidade de iluminar uma sala e poderia ser um agente para aplacar fúrias populistas. Na atual circunstância, tudo que os britânicos parecem desejar é uma boia de salvação que livre o país deste desgastante impasse do Brexit.
Conservador Boris Johnson chega de bicicleta ao Parlamento Britânico, em 15 de maio
Tolga Akmen / AFP

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