Investigação da ONU que aponta o dedo para príncipe saudita em morte de jornalista convencerá Trump?




Em jogo, estão contratos de US$ 8 bilhões para a venda de armas ao reino, importante aliado dos EUA contra o Irã. O príncipe saudita Mohamed Bin Salan, o presidente americano Donald Trump, o jornalista Jamal Khashoggi, morto no ano passado, e Agnes Callamard, da ONU.
Fotos: France Presse. Montagem: G1
Embora tenha sido impedida de ir à Arábia Saudita, a investigadora especial da ONU Agnes Callamard produziu o relatório mais incisivo sobre o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, há oito meses, nas dependências do consulado do reino em Istambul: aponta o dedo diretamente para o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman pela execução premeditada e deliberada do colunista do “Washington Post”, exilado nos EUA e crítico contumaz do regime.
Em 100 páginas, o relatório exige a suspensão do julgamento dos 11 implicados, que se realiza a portas fechadas na Arábia Saudita. E justifica: trata-se de um crime internacional, pelo qual o reino é o responsável, e a investigação saudita equivale à obstrução de Justiça.
Agnes Callamard, da ONU.
Fabrice Coffrini/AFP
Especialista em execuções extrajudiciais, Agnes Callamard apresentará o resultado de sua investigação na próxima semana ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, composto por 47 membros, entre os quais a Arábia Saudita. Ela recomenda a aplicação de sanções específicas a MBS, como o príncipe herdeiro é conhecido, até que ele prove que não tem qualquer responsabilidade sobre a execução.  
A execução de Khashoggi arruinou a imagem de modernizador do reino que o príncipe tentava vender a seus aliados. Mas não foi suficiente para arranhar as relações com o governo Trump.
Até agora, o presidente americano evitou condenar a Arábia Saudita, importante parceiro comercial e aliado fundamental contra o Irã. Priorizou o relacionamento com a monarquia, desprezando as conclusões da CIA sobre o seu envolvimento no crime.
O jornalista Jamal Khashoggi e o príncipe Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita.
Mohammed al-Shaikh/AFP; Bandar Algaloud/Media Office Of Mohammed Bin Salman/AFP
Em jogo, estão contratos de US$ 8 bilhões para a venda de armas ao reino, que o secretário de Estado, Mike Pompeo, admitiu acionar em caráter emergencial no momento em que se agrava a tensão no Golfo Pérsico.
A investigação de Agnes Callamard revela detalhes horripilantes da ação executada por 15 agentes sauditas que desembarcaram em Istambul, para onde o jornalista foi atraído sob o pretexto de obter documentos necessários para o casamento. A investigação descarta a versão do reino de que o príncipe não tinha conhecimento sobre uma operação tão sofisticada.
O presidente americano, Donald Trump.
Saul Loeb / AFP
A transcrição de áudios gravados por serviços de inteligência da Turquia e outros países mostra, por exemplo, que 13 minutos antes de Khashoggi chegar ao consulado, no dia 2 de outubro, agentes sauditas debatiam como o corpo seria desmembrado.
A relatora recomenda que o Conselho de Segurança determine uma investigação criminal internacional. Mas, para que isso ocorra, o governo americano terá que se dispor a fazer um desvio de rota significativo em seu relacionamento com a Arábia Saudita.

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