Moro enfrenta Senado em seu pior momento; quais os riscos que algoz de Lula corre

Por Renato Rovai

O ministro da Justiça Sergio Moro, se não mudar de ideia, deve enfrentar a partir das 9h desta quarta-feira (19), no plenário da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, parlamentares ávidos por explicações acerca da troca de mensagens dele com procuradores, divulgadas pelo site The Intercept Brasil.

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As conversas vêm demonstrando envolvimento direto do ex-juiz nas investigações e no direcionamento dos casos da Lava Jato.

Moro, que no início as reconheceu, agora adota nova linha. Diz que não sabe se de fato elas correspondem à verdade porque já não tem mais o histórico do Telegram.

Ao mesmo tempo ataca o trabalho jornalístico do The Intercept, a quem acusa de fazer o jogo dos “corruptos e do PT”. E chama o vazamento de ação criminosa de hackers.

Ontem, o The Intercept Brasil divulgou uma nova reportagem em que o então juiz pede ao procurador Deltan Dallagnol que evite investigar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para que ele não se melindre.
Esse deve ser um tema explorado hoje pelos senadores. A um juiz não cabe dizer em hipótese alguma o que ou quem o Ministério Público deve investigar.

No último sábado (15), embora tenha defendido o legado de Sergio Moro, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não existe confiança 100%. “Meu pai dizia para mim: Confie 100% só em mim e minha mãe”, disse Bolsonaro.

Até o momento o presidente também evitou dar declarações acerca das revelações do The Intercept Brasil.
Mas para não ficar mal com a torcida de Moro, foi ao estádio Mané Garrinha com o ex-ministro num jogo do Flamengo. Na ocasião o gesto foi entendido como de solidariedade ao ministro.

O grande teste de Moro, porém, sobre os reais interesses de Bolsonaro em mantê-lo no governo será hoje. Caso senadores próximos ao governo venham a agir sem empenho em sua defesa, o recado estará dado. A queda de Moro é questão de tempo.

A iniciativa de comparecer em audiência na Casa foi do próprio ministro, já que havia um movimento para criar uma CPI mista (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as conversas com Deltan.

O proponente da comissão, senador Angelo Coronel (PSD-BA), parou de coletar assinaturas, mas disse não descartar retomar o trabalho. Coronel não é da base do governo, mas seu partido é.

Como funciona a CCJ

A CCJ é composta por 54 senadores, 27 titulares e 27 suplentes. No entanto, senadores que não são membros também podem fazer perguntas.

A sessão está marcada para as 9h. Moro terá meia hora para fazer uma introdução. Depois disso, cada senador tem cinco minutos para pergunta e outros cinco para resposta. O ministro pode ser contraditado por dois minutos e tem o mesmo tempo para a tréplica.

Não é incomum que neste tipo de sessão, nas quais há possibilidade de debate, que mesmo políticos experientes percam a estabilidade emocional e cometam erros primários. Se isso vier a ocorrer com Moro sua popularidade que já caiu na última pesquisa 10% pode esfarelar. A questão objetiva a ser respondida na sessão de hoje é, Bolsonaro quer que isso aconteça?

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