Conservador formado em Harvard e Stanford tira esquerda do governo na Grécia




Segundo projeções oficiais, o partido conservador conquistou 39,8% dos votos, enquanto o partido de esquerda radical ficou com 31,5%. Primeiro-ministro da Grécia e líder do Syriza reconheceu derrota nas eleições legislativas antecipadas. O líder do partido Nova Democracia, Kyriakos Mitsotakis, discursa após a vitória nas eleições legislativas na Grécia neste domingo (7)
Thanassis Stavrakis / Associated Press
O partido Nova Democracia venceu as eleições legislativas antecipadas realizadas neste domingo (7) na Grécia. Segundo projeções do Ministério do Interior, a legenda conservadora, do líder Kyriakos Mitsotakis, obteve 39,8% dos votos, contra 31,5% do partido de esquerda radical Syriza, há quatro anos no poder. O primeiro-ministro Alexis Tsipras reconheceu a derrota.
Os conservadores devem conquistar 167 cadeiras das 300 vagas do Parlamento grego, uma maioria confortável. A bancada do Syriza deve enxugar para cerca de 80 deputados, contra 144 até a votação deste domingo.
Conheça os candidatos na briga pelo poder em uma Grécia pós-crise
Três anos depois de assumir a direção do partido, Mitsotakis, 51 anos, futuro primeiro-ministro, é apresentado como um reformista próximo do setor empresarial. Durante a campanha, ele prometeu relançar a economia, criar empregos de maior qualidade e deixar uma década de crise econômica e financeira para trás. Ele costuma ser comparado ao presidente francês, Emmanuel Macron.
Tsipras assumiu o governo no auge da crise e, hoje, é acusado de ter tomado medidas de austeridade drásticas demais, que sufocaram principalmente a classe média, com o objetivo de tirar o país do aperto fiscal. Pouco antes da votação, ele disse que os gregos deveriam se lembrar de onde estava a Grécia em 2014 e onde ela está agora.
Mas afetado pelo fracasso nas eleições europeias e locais de maio e junho, o primeiro-ministro, cujo mandato a princípio terminaria em outubro, convocou eleições antecipadas. As maiores conquistas do governo do Syriza foram a alta do salário mínimo, o 13° para os aposentados e a união civil para os casais homossexuais.
O primeiro-ministro da Grécia e líder do partido Syriza, Alexis Tsipras, discursa durante a campanha nesta sexta-feira (5)
Petros Giannakouris / Associated Press
Filho de ex-premiê
Durante a campanha, Mitsotakis viajou por todo o país para promover seu programa. Ele prometeu sangue novo, apresentando muitos candidatos com menos de 40 anos e personalidades “de sua geração ou mais jovens” em seu governo.
Diplomado nas universidades americanas de Harvard e Stanford, ele vem de uma família tradicional na política grega. Seu pai, Konstantinos Mitsotakis, foi primeiro-ministro da Grécia de 1990 à 1993. Sua irmã mais velha, Dora Bakoyannis, foi ministra da Cultura, das Relações Exteriores e prefeita de Atenas. O filho dela, Kostas Bakoyannis, é o atual prefeito da capital grega.
Ex-consultor da McKinsey em Londres, Mitsotakis foi ministro da Reforma Administrativa sob o último governo conservador de Antonis Samaras (2012-2014). No auge da crise, ele foi instruído a demitir 15.000 funcionários sob pressão dos credores. Os cortes foram interrompidos pelas eleições antecipadas em janeiro de 2015, mas a fama de ser um administrador rigoroso persistiu.
À esquerda, Mitsotakis é visto como um líder que deu à Nova Democracia um perfil nacionalista e neoliberal. Após a sua eleição em 2016 como dirigente da NA, ele nomeou como vice-presidente do partido Adonis Georgiadis, um ex-membro do partido de extrema direita Laos.

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