Chefe do governo de Hong Kong desiste de polêmica lei de extradição




Carrie Lam assumiu responsabilidade pela crise, mas não atendeu a uma das principais reivindicações dos manifestantes, que era sua renúncia. A chefe de governo de Hong Kong, Carrie Lam
Anthony Wallace / AFP Photo
A chefe do governo de Hong Kong, Carrie Lam, encerrou nesta terça-feira (9) o polêmico projeto de lei de extradição, que encontrou forte oposição de diversos setores da sociedade durante o último mês.
“Dou como morto o projeto de lei de extradição”, disse a governante, acrescentando que os trabalhos para desenvolver esta legislação foram “um completo fracasso”.
Carrie Lam não deixou claro se a lei é retirada de forma eficaz, conforme exigido pelos opositores, mas sugeriu que o Legislativo não pretende continuar com a sua tramitação.
Além disso, anunciou a criação de um comitê de investigação independente para supervisionar a ação policial durante os protestos que assolaram a cidade durante o mês passado, bem como o estabelecimento de uma plataforma para o diálogo com os oponentes da lei.
“Vou publicar o resultado deste relatório para que todos saibam o que aconteceu durante o último mês, as pessoas que participaram, tanto os manifestantes quanto os policiais, poderão fornecer evidências sobre o que aconteceu”, disse.
Entenda como e por que os protestos de Hong Kong ganharam força
A chefe do governo assumiu “total responsabilidade” pela crise, mas não atendeu a uma das principais reivindicações dos manifestantes, que era sua renúncia, e pediu “uma oportunidade, o tempo e o espaço” para devolver Hong Kong à normalidade.
Assim, é necessário “baixar a tensão”, disse Lam, pedindo a participação de “toda a sociedade” nesta jornada rumo à tranquilidade da cidade. “Nossa missão é fazer com que os cidadãos tenham a confiança necessária em nosso governo”, acrescentou.
Manifestantes no lobby do prédio do Parlamento em Hong Kong na segunda-feira (1º).
Tyrone Siu / Reuters
Carrie Lam falou sobre os jovens, protagonistas da última rodada de protestos: “Temos que ouvir as gerações mais jovens e de diferentes setores para saber o que pensam”, disse, anunciando em seguida a criação de “uma plataforma para diálogo mais aberto” com universidades e estudantes.
O que aconteceu, reconheceu, “reflete que existem problemas mais profundos que não devemos ignorar”, mas “nos colocamos para trabalhar e resolve-los”.
Estas palavras de Carrie Lam vêm depois de quase um mês de protestos em Hong Kong, com vários deles ultrapassando um milhão de participantes, segundo seus organizadores, e que chegaram a um ponto de inflexão na semana passada após a ocupação de um grupo de manifestantes do Conselho Legislativo de Hong Kong.

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