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Trump é racista?

por Portal Click Política




Presidente americano, mais uma vez, explora a divisão e o ódio racial para estimular seu eleitorado. Donald Trump dá entrevista coletiva a jornalistas na Casa Branca nesta quinta-feira (18)
Kevin Lamarque/Reuters
Uma turba de partidários grita energicamente “Mande-a de volta!” ao presidente Donald Trump, que faz uma pausa de 13 segundos, em silêncio, para então retomar a palavra durante um comício na Carolina do Norte. Está dado o tom da campanha para a reeleição: um repeteco de 2016 para obter mais votos pela divisão, pelo medo e, sobretudo, pelo ódio racial.
No caso, “ela” agora é a deputada Ilhan Omar, democrata de Minnesota, cidadã americana nascida na Somália e uma das quatro congressistas a quem o presidente sugeriu no domingo que voltassem para “os lugares infestados pelo crime de onde vieram”.
Diante da indignação ao grito de guerra contra Omar, Trump tentou, no dia seguinte, manter distância de seu coro fanático; se disse surpreendido e até descontente com a reação de seus partidários. Como assim? Foi o presidente quem incitou a sua base de eleitores fiéis, rotulando a deputada como esquerdista radical, simpatizante da al-Qaeda e do Estado Islâmico. A multidão apenas aderiu, ordenando a expulsão da congressista do país.
Como disse o colunista Greg Sargent, do jornal “Washington Post”, o mundo assistirá a esse espetáculo pelos próximos 16 meses. Provocações racistas e nacionalistas são a chave para seu esforço de reeleição.
Trump assegura que não tem um osso racista em seu corpo. Basta um mergulho em seu histórico, repleto de episódios controversos, para pôr em dúvida a anatomia do presidente.
Há 45 anos, durante o governo Nixon, o Departamento de Justiça processou o empresário, o pai Fred e a Trump Management por discriminação contra negros. A eles era negada a possibilidade de alugar apartamentos, sob a alegação de que não havia imóveis disponíveis.
O magnata foi implacável no caso conhecido como “Central Park Five”, que originou o filme “Olhos que condenam”, exibido atualmente pela Netflix. Cinco negros foram injustamente condenados pelo estupro de uma corredora no Central Park, em abril de 1989. Trump publicou anúncio de página inteira nos quatro principais jornais da cidade defendendo a pena de morte.
Os réus ficaram livres depois que um violador confessou o crime, comprovado por exame de DNA. Em 2014, conseguiram da cidade de Nova York uma indenização de US$ 40 milhões. Ainda assim, até hoje Trump duvida da inocência do grupo.
Ele foi também um dos propagadores das teorias de conspiração sobre a cidadania do ex-presidente Barack Obama, que acabou por exibir sua certidão de nascimento, em 2011, para encerrar a polêmica.
Veio então a campanha de 2016 e, com ela, as acusações ao México por enviar estupradores, criminosos e traficantes pela fronteira. Eleito, Trump assinou decreto proibindo a entrada, por 90 dias, de cidadãos de sete países de maioria muçulmana no país, mas a ordem executiva foi suspensa pela Justiça.
Depois dos confrontos deflagrados pela manifestação de supremacistas brancos em Charlottesville, em 2017, o presidente colocou lenha na fogueira racial dizendo que “havia pessoas boas em ambos os lados”. A tese de que os crimes violentos são cometidos por negros e hispânicos é um de seus mantras. Numa reunião com vários senadores no Salão oval em janeiro de 2018, Trump se referiu a nações da África, ao Haiti e a El Salvador como “países de merda”, segundo um senador que estava presente.
Em dois anos e meio no comando do país, o presidente americano costuma agir como se estivesse permanentemente em campanha, dirigindo-se essencialmente à sua base eleitoral, a quem ainda deve a construção de um muro separando a fronteira dos EUA com o México.
Quando as detenções de imigrantes ilegais atingiram o recorde e os centros de abrigos tornaram-se insalubres, Trump alertou: “Se estão descontentes, então não venham.”
Nesta lógica raivosa, o esforço do presidente agora está concentrado em quatro congressistas democratas, que defendem bandeiras consideradas à esquerda do partido e integram o chamado “Esquadrão”.
Ao atacá-las, como caricaturas do socialismo e do extremismo, Trump provoca uma reação em cadeia num roteiro já conhecido: obriga os democratas a defendê-las, coloca o ódio racial no centro do debate e alimenta sua base. A estratégia funcionou em 2016, mas não correu bem no ano passado, nas eleições de meio de mandato.
Às vésperas da votação, o presidente demonizou, como uma invasão bárbara, a caravana de imigrantes que se dirigia aos EUA, ameaçando enviar militares para fronteira. O presidente manteve o Senado republicano, mas perdeu a Câmara para os democratas. Agora, o Trump testa novamente a resistência do público americano exibindo a mesma reprise.

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