Ex-militar que matou estudante brasileira na Nicarágua será libertado




Pierson Gutiérrez Solís, que tinha sido condenado a 15 anos de prisão, foi beneficiado pela Lei da Anistia. Decisão foi anunciada por juízes no dia em que morte de Raynéia Gabrielle Lima completa um ano. Raynéia Gabrielle Lima foi morta em 23 de julho de 2018, na Nicarágua
Reprodução/ Facebook
A Justiça da Nicarágua determinou que o ex-militar Pierson Gutiérrez Solís, responsável pela morte da estudante brasileira de medicina Raynéia Gabrielle Lima, seja libertado.
Solís tinha sido condenado a 15 anos de prisão – 14 pelo homicídio e um pelo porte ilegal de armas – em novembro de 2018, mas foi beneficiado pela Lei da Anistia, aprovada em junho deste ano. Sua soltura foi determinada nesta terça-feira (23) por juízes da primeira turma do Tribunal de Apelações de Manágua, exatamente no dia em que a morte de Raynéia completa um ano.
Solís, de 42 anos, disparou diversas vezes contra o carro da estudante, de 30 anos, que cursava o sexto ano de Medicina na Universidade Americana (UAM). Ela morreu com “um tiro no peito que afetou o coração, o diafragma e parte do fígado”, de acordo com o reitor da UAM, Ernesto Medina.
Segundo o jornal “El Nuevo Diário”, Solís disse na época que conversava com dois vigilantes quando viu o carro onde estava Raynéia se movendo “de forma errática” em “atitude suspeita”. Um dos colegas disparou um tiro preventivo, e, então, ele atirou e atingiu a brasileira. Solís foi preso em 27 de julho de 2018 com uma carabina M4, o mesmo tipo de armamento que teria sido usado para matar Raynéia.
O crime aconteceu no auge de uma onde de protestos contra o presidente Daniel Ortega, que sofreram violenta repressão. Os conflitos, que envolveram ainda a ação de grupos paramilitares, deixaram centenas de mortos.
Lei de Anistia
A lei que beneficiou Pierson Gutiérrez Solís foi aprovada pelo Parlamento da Nicarágua, de maioria pró-governo, em 8 de junho. A Lei de Anistia concede perdão “a todas as pessoas que participaram nos eventos que ocorreram em todo o território nacional a partir de abril de 2018 até o presente”.
O governo informou que “em cumprimento ao estabelecido na Lei de Anistia aprovada pela Assembleia Nacional (…) foram libertadas pessoas condenadas por crimes contra a segurança comum e contra a tranquilidade pública, e continua-se preparando a libertação de outros presos por esses delitos”.
Organismos de direitos humanos e familiares das vítimas protestam contra a nova lei porque ela impede o julgamento dos responsáveis pela morte ou repressão de seus parentes.

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