Moderados de Theresa May são os novos rebeldes de Boris Johnson




Premiê britânico entra para o governo com paralisação do Gabinete em curso e promessa de entregar Brexit a qualquer custo em três meses. Boris Johnson e Jeremy Hunt, logo após o anúncio do resultado das eleições do Partido Conservador
Stefan Rousseau/Reuters
Eleito líder dos conservadores, Boris Johnson ganha também o cargo de premiê britânico –a principal ambição de sua polêmica carreira política–, mas está longe de aplacar os ânimos dentro do partido sobre os termos do divórcio com a União Europeia. Nesta quarta-feira (23), após beijar a mão da rainha Elizabeth II, ele adentra a sede do governo, no número 10 da Downing Street, com uma paralisação do Gabinete já em curso.
Com BoJo, como é conhecido o novo premiê, tudo indica que o Brexit desordenado e sem acordo ficou mais palpável. Alvo de críticas contundentes, ele tem a oposição de três ex-primeiros-ministros –John Major, Tony Blair e Gordon Brown– sobre a forma como pretende conduzir a saída da UE, “a qualquer custo”, até o dia 31 de outubro.
A relação de Johnson com a verdade tornou-se mais fluida com o passar do tempo. É difícil antever o que passa na mente agitada do ex-prefeito de Londres e ex-secretário de Relações Exteriores, de 55 anos, considerado uma espécie de fanfarrão carismático que muda permanentemente de campo e confunde seus interlocutores.
O mesmo Boris Johnson que em 2007 descreveu como antidemocrática a substituição, sem eleições, de Tony Blair por Gordon Brown no comando do governo trabalhista, agora procedeu da mesma forma, ao suceder Theresa May.
Sua permanência no cargo é uma incógnita. Se perseguir a ideia do divórcio sem compromisso como política, ele terá problemas bem semelhantes com os que sua antecessora enfrentou. Esta é uma semana em que tudo muda, mas no fundo, tudo permanece o mesmo, conforme relatou Chris Mason, analista político da BBC: membros do antigo establishment tornam-se agora os novos rebeldes.
Alguns ministros já abandonaram o barco antes mesmo da chegada do próximo comandante. O de Finanças, Philip Hammond, e o da Justiça, David Gauke, asseguraram que não serão demitidos ou servirão ao novo premiê: sairão primeiro.
E há outro problema que acompanha BoJo em sua controversa carreira de três décadas — a compulsão por gafes, escândalos e situações constrangedoras. Este é um dos elos de interseção com o presidente americano, Donald Trump.
No meio da disputa pela liderança do Partido Conservador, envolveu-se numa briga com a namorada Carrie Symonds dentro de casa, com a polícia convocada por vizinhos para contornar a violenta crise. O premiê britânico não confirma, sequer, quantos filhos tem, além dos quatro com a ex-mulher Marina Wheeler.
É dele a comparação de mulheres muçulmanas que usam véus a caixas de correio. Na campanha do referendo, em 2016, disse que Hitler e a União Europeia tinham o mesmo objetivo — manter a Europa coesa. Descreveu Hillary Clinton como uma enfermeira sádica de um hospital psiquiátrico, alimentou a teoria de que o ex-presidente Barack Obama nasceu no Quênia.
Ao vencer o atual secretário de Relações Exteriores Jeremy Hunt com o dobro de votos, Boris Johnson prometeu unificar o país, entregar o Brexit e derrotar o líder trabalhista Jeremy Corbyn. Mas esquivou-se do primeiro desafio: pacificar os conservadores.

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