Irã insinua disposição para trocar navios petroleiros interceptados




País interceptou navio sueco de bandeira britânica no Estreito de Ormuz na semana passada, e embarcação iraniana está detida em Gibraltar desde o início do mês. ‘Não queremos tensões com alguns países europeus’, disse presidente do Irã, Hassan Rohani. O petroleiro Stena Impero, capturado pela Guarda Revolucionária do Irã, em foto não datada
Stena Bulk via AP
O governo do Irã insinuou nesta quarta-feira (24) que estaria aberto a uma troca com o Reino Unido de petroleiros interceptados, enquanto o proprietário de uma embarcação de bandeira britânica confiscada pelas autoridades iranianas no Estreito de Ormuz disse que espera ter progressos após conversar com a tripulação do navio.
Região estratégica para o abastecimento mundial de petróleo, o Golfo está passando por um novo período de turbulência desde o embargo do Irã ao “Stena Impero”, um barco sueco com bandeira britânica, quinze dias depois que o petroleiro iraniano “Grace 1” ter tido a mesma sorte em Gibraltar por ação das autoridades do Reino Unido.
“Não queremos tensões com alguns países europeus”, disse o presidente do Irã, Hassan Rohani, durante um conselho de ministros, de acordo com uma transcrição de suas declarações publicadas no site do governo.
Pela primeira vez desde a apreensão do “Stena Impero”, na sexta-feira, estas declarações surgem após o proprietário sueco do barco, Stena Bulk, confirmar “que estabeleceu uma comunicação direta com a tripulação do navio.
“O capitão disse que todos estavam seguros graças a uma boa cooperação com pessoal iraniano (militar) a bordo”, informou Erik Hannel, que dirige a empresa armadora.
“Apreciamos este progresso”, afirmou, para em seguida acrescentar que é “um primeiro sinal de que em breve veremos um progresso positivo por parte das autoridades iranianas”.
Sob suspeita de não cumprimento do código marítimo internacional”, o “Stena Impero” e sua tripulação permanecem ainda retidos no porto de Bandar Abas (sul do Irã).
Esta apreensão é “uma medida legal” necessária para “garantir a segurança regional”, informou na segunda-feira o porta-voz do governo iraniano, Ali Rabi.
Localização Estreito de Ormuz
Diana Yukari/Guilherme Pinheiro/G1
“Nenhum drone” abatido
A crise entre Teerã e Londres ocorre em tempos de exacerbação de tensões entre Teerã e Washington desde a retirada unilateral dos Estados Unidos em maio de 2018 do acordo nuclear internacional assinado em Viena em 2015.
Desde maio, a sabotagem e ataques a navios no Golfo – atribuídos pelo governo americano aos iranianos, que negam – e a destruição de drones aumentaram ainda mais a pressão.
Nesta quarta-feira, os Estados Unidos, um aliado da Grã-Bretanha, disseram que “acreditam” ter abatido um drone iraniano em 18 de julho, depois de anunciar a destruição de outro no mesmo dia.
Mas os Guardiões da Revolução, exército ideológico iraniano, negaram ter perdido um drone.
“Declaro oficialmente que nenhum drone iraniano foi abatido”, disse o general da divisão Hosein Salami, comandante dos Guardiães, citado no site do organismo.
“Se nossos inimigos alegam ter derrubado drones iranianos, eles devem mostrar os destroços”, acrescentou.
Na terça-feira, diante das primeiras negativas iranianas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu que suas forças haviam abatido um drone iraniano em 18 de julho.
“Você pode vê-lo abatido … no chão”, disse Trump em comentários postados no site da Casa Branca.
Pelo lado iraniano, no dia 20 de junho, Teerã afirmou ter derrubado um drone americano Global Hawk que, a seu entender, havia violado o espaço aéreo do país, o que Washington também nega.
“Cessar-fogo”
O presidente iraniano deu a entender que estava aberto a participar de negociações se for observado um “cessar-fogo” na “guerra econômica” que Washington está realizando com suas sanções contra o Irã.
“Alguns países agem como intermediários, mesmo que digam que não são e que estão simplesmente expressando seu próprio ponto de vista”, afirmou Rohani.
“Havia cartas de ambos os lados … e isso continua”, acrescentou.
No dia 10 de julho, Emmanuel Bonne, assessor diplomático do presidente francês, Emmanuel Macron, viajou a Teerã para trabalhar por uma distensão.

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