Petroleiro iraniano deixa Gibraltar rumo à Grécia; Irã adverte EUA contra interceptação




Embarcação segue para o porto de Kalamata, aonde deve chegar no dia 25. O navio estava retido na costa de Gibraltar desde 4 de julho; na sexta-feira (16), o Departamento de Justiça americano deu uma ordem de apreensão contra o petroleiro. O antigo ‘Grace 1’, de bandeira panamenha, foi rebatizado como ‘Adrian Darya’, desta vez com bandeira
Johnny Bugeja / AFP
O Irã advertiu, nesta segunda-feira (19), o governo dos Estados Unidos de que qualquer tentativa de apreender o petroleiro “Adrian Darya” outra vez teria “sérias consequências”. O navio, que estava detido no porto de Gibraltar desde 4 de julho, partiu na noite de domingo (18) rumo à Grécia, depois de ser liberado na semana passada.
“O Irã enviou as advertências necessárias às autoridades americanas pelos canais oficiais para que não cometam erro semelhante, que teria graves consequências”, afirmou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Abbas Musavi.
Petroleiro iraniano apreendido em Gibraltar é liberado após um mês e meio
A embarcação deve chegar ao porto grego de Kalamata no dia 25 de agosto. O barco havia sido detido por suspeitas de que levava petróleo para a Síria, violando sanções europeias contra o país; ele carregava 2,1 milhões de barris de petróleo bruto vindo do Irã.
O navio foi liberado pelas autoridades gibraltinas no dia 15, depois que o governo local afirmou que o Irã tinha dado garantias de que a carga do navio não iria para a Síria. Teerã negou, entretanto, ter feito essa garantia – e vem refutando que o navio estava destinado ao país. Investigações feitas por GIbraltar, no entanto, mostraram evidências de que a carga iria para refinaria síria de Baniyas.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, declarou que não poderia revelar para onde o petróleo iria.
“Por causa das sanções dos EUA, não podemos ser muito transparentes com o destino”, disse.
Antes de sair de Gibraltar, o navio trocou de nome – antes, se chamava “Grace 1”. Também passou a navegar sob bandeira iraniana no lugar da anterior, que era do Panamá.
Na sexta-feira (16), o Departamento de Justiça dos Estados Unidos deu uma ordem para apreender o petroleiro iraniano – que, no entanto, não foi cumprida, porque, segundo GIbraltar, as sanções americanas não se aplicam em território europeu.
Um porta-voz da guarda costeira grega disse que não tinha informações formais de que o navio está indo para Kalamata e que está monitorando o assunto, informou a Reuters.
Crise diplomática
Grace 1 é visto nesta quinta-feira (15) ancorado no território britânico de Gibraltar.
Marcos Moreno/AP
A retenção do petroleiro por Gibraltar e pela Marinha Britânica provocou uma crise diplomática entre Teerã e Londres. O Irã respondeu com a interceptação de três petroleiros, incluindo um de bandeira britânica, o “Stena Impero”, em 19 de julho, mas negou que fosse uma represália.
“Com relação à liberação do petroleiro britânico (Stena Impero), temos que esperar pela decisão do tribunal”, afirmou Abbas Mousavi. “Este navio-tanque cometeu entre e duas três violações náuticas que estão sendo investigadas. Esperamos que essas investigações terminem o mais breve possível e, se o veredito ordenar a sua liberação, ele possa continuar o seu caminho”, declarou.
O Ministério das Relações Exteriores britânico disse na semana passada em um comunicado que as “investigações conduzidas em torno do Grace 1 são assunto para o governo de Gibraltar” e que não poderia comentar mais, já que a investigação estava em andamento.
Um membro do comitê de segurança nacional e relações exteriores do Parlamento iraniano, Heshmatollah Falahatpisheh, declarou, entretanto, que “a Grã-Bretanha tem a responsabilidade primária para acabar com a crise do petroleiro. Até que ele chegue ao seu destino, os britânicos têm que ajudar a acabar a crise”, afirmou à agência de notícias iraniana Isna, segundo a Reuters.
Sanções americanas
Washington impôs sanções ao Irã com o objetivo de interromper totalmente as exportações de petróleo do país persa. Já os europeus suspenderam as sanções contra o Irã, mas ainda mantêm uma proibição de vender petróleo para a Síria que está em vigor desde 2011.
No ano passado, os europeus, incluindo o Reino Unido, também discordaram de forma veemente da decisão do presidente Donald Trump de retirar os EUA de um acordo nuclear internacional que garante o acesso do Irã ao comércio em troca de restrições ao seu programa nuclear.
A decisão suspendeu bilhões de dólares em negócios e, em grande parte, parou a venda do petróleo bruto do Irã internacionalmente – além de desvalorizar bastante a moeda iraniana, o rial.
Nas últimas semanas, em resposta às sanções, o Irã começou a se afastar do acordo nuclear, aumentando sua produção e enriquecimento de urânio. O país também ameaçou continuar a descumprir o acordo, a partir do início de setembro, se a Europa não o ajudar a vender seu petróleo no exterior.

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