China acusa funcionário do consulado britânico em Hong Kong de envolvimento com prostituição




Alegação em relação a Simon Cheng é muitas vezes usada pelas autoridades de Pequim para manchar a reputação de críticos, diz o jornal britânico “The Guardian”. Cheng, que é cidadão de Hong Kong, está detido na China desde o dia 8. Simon Cheng, de 28 anos, é cidadão de Hong Kong e havia viajado de lá até a cidade chinesa de Shenzhen no dia 8 de agosto.
Reprodução/Facebook Simon Cheng
A mídia estatal da China acusou Simon Cheng, funcionário do consulado britânico em Hong Kong que está detido no país desde 8 de agosto, de envolvimento com prostituição, informou nesta quinta-feira (22) o jornal britânico “The Guardian”.
A alegação é usada muitas vezes usada por Pequim para manchar a reputação de críticos ao governo, diz o jornal.
O jornal “The Global Times”, classificado pelo “The Guardian” como um tabloide nacionalista, noticiou, nesta quinta (22), que a polícia de Shezhen afirmou que Cheng foi detido por envolvimento com prostituição, que prevê detenção administrativa de 15 dias. O funcionário deve ser liberado na sexta-feira (23).
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O veículo chinês também afirmou que a família de Cheng não havia sido informada da detenção a pedido dele mesmo. Os familiares não comentaram o assunto.
O Escritório de Relações Exteriores britânico disse, em um comunicado, que continua “a buscar urgentemente mais informações sobre o caso de Simon. Nem nós nem a família de Simon pudemos conversar com ele desde sua detenção”.
Cheng, de 28 anos, é cidadão de Hong Kong e havia viajado de lá até a cidade chinesa de Shenzhen no dia 8. A China confirmou sua detenção na quarta-feira (21), sob alegação de que ele violou a lei sobre Administração de Segurança chinesa, que cobre uma série de delitos que não são considerados crimes.
Nos últimos anos, muitos ativistas chineses foram forçados a falar contra sua vontade e confessar a supostos crimes na mídia estatal, diz o “The Guardian”. Entretanto, a namorada de Cheng, Annie Li, disse que ele não participou de protestos pró-democracia nos últimos dois meses ou expressou publicamente sua posição sobre o movimento em Hong Kong.
Onda de protestos
Manifestantes passam em frente a muro com a mensagem ‘Hong Kong Livre’ neste domingo (18)
Thomas Peter/ Reuters
Manifestações pró-democracia acontecem em Hong Kong há mais de dois meses, e, em muitos casos, terminaram com confrontos violentos entre a polícia e ativistas.
Nas últimas semanas, a China elevou o tom ante os protestos, que considera um desafio direto a seu governo, e afirmou que as ações mais violentas dos manifestantes mostram “sinais de terrorismo”. Tropas chinesas foram posicionadas em Shenzhen, o que fez aumentar o medo de uma intervenção direta chinesa para conter as manifestações.
Os protestos começaram depois que o governo local apresentou um projeto de lei – atualmente suspenso – que permitiria a extradição de cidadãos de Hong Kong para a China continental.
O governo recuou do projeto, mas os manifestantes ampliaram a pauta de reivindicações e dizem que lutam contra a erosão do arranjo “um país, dois sistemas” – que confere certa autonomia a Hong Kong desde que a China retomou o território do Reino Unido em 1997.
Os manifestantes querem barrar a influência de Pequim, que eles consideram crescente, e impedir a redução das liberdades dos cidadãos que vivem no território semiautônomo. Eles também passaram a pedir a renúncia da governante de Hong Kong, Carrie Lam, acusada de não defender os interesses internos. Apoiada pela China, ela diz que permanecerá no poder.

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