Partidos de direita pedem eleições antecipadas na Itália




O presidente está em consulta com os líderes partidários, se não for possível formar uma coalizão, uma nova votação para o Parlamento será convocada. Sergio Mattarella, o presidente da Itália, em uma imagem de agosto de 2019
Massimo Pinca/Reuters
A Itália começou nesta quinta-feira (22) uma segunda rodada de consultas para buscar uma solução para a crise deflagrada pela implosão do governo populista formado pelos partidos Liga e Movimento 5 Estrelas em junho de 2018.
O presidente Sergio Mattarella recebe os líderes dos grupos políticos para discussões em seu palácio do Quirinal.
Na terça-feira (20), o ex-primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, renunciou ao cargo.
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Após as consultas, Mattarella decidirá se convoca eleições antecipadas, como quer Matteo Salvini, o líder da Liga, ou se os parlamentares farão uma nova coalizão que sustente um novo governo.
Partidos de direita da Itália, como o Forza Italia, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, e o Irmãos da Itália, disseram nesta quinta-feira (22) que apoiam Salvini nessa questão.
Os primeiros a chegar, Irmãos da Itália (ultradireita pós-fascista), devem exigir legislativas antecipadas, uma oportunidade para se aliar à Liga do ministro do Interior e líder da extrema direita, Matteo Salvini, com quem compartilha ideias soberanistas.
O presidente da Itália, Sergio Mattarella, se encontra com Silvio Berlusconi
Divulgação/Paolo Giandotti/Palácio Presidencial da Itália
O Forza Italia, de Silvio Berlusconi, também apoiou eleições antecipadas.
Esquerda propôs aliança
A primeira sigla de esquerda, o Partido Democrata (PD), que representa cerca de 20% dos votos, propôs na quarta-feira (21) uma aliança ao M5S. Esse último foi largado por Salvini em 8 de agosto, após 14 meses de casamento.
O M5S ainda não respondeu. Para os analistas, o grupo não deveria voltar às urnas agora, pois sairia mais enfraquecido –ele já perdeu força: na primeira metade de 2018, tinha 32% dos parlamentares, e hoje tem cerca de 15%.
No entanto, o M5S ainda é o partido com uma maioria relativa.
Eurocéticos versus eurocêntricos
O PD de Nicola Zingaretti apresentou cinco condições para a união de toda esquerda com o M5S, um movimento baseado na rejeição da velha classe política e da corrupção, mas atravessado por correntes díspares, incluindo uma forte tendência eurocética.
O PD quer uma adesão leal à Europa, o respeito pela centralidade do Parlamento, o crescimento ambientalmente sustentável, uma mudança na gestão da migração e uma maior redistribuição e de investimentos.
Além disso, a esquerda exige que o próximo Executivo não seja liderado pelo primeiro-ministro Giuseppe Conte.
Conte ainda é popular na Itália (uma pesquisa feita em julho aponta que ele tinha 54% de aprovação). Para o M5S, ele é um “servo da Nação que a Itália não pode ficar sem”.
No entanto,o Zingaretti, o líder de esquerda, o acusa de ter aceitado sem pestanejar durante seus 14 meses de mandato os ditames anti-imigrantes de Salvini.
Outras vias
Outros nomes circulam: os do presidente da Câmara dos Deputados, Roberto Fico, do M5S; do ex-juiz anticorrupção Raffaele Cantone; ou, pela primeira vez na Itália, o de uma mulher.
Outra hipótese seria a formação de uma maioria de grande envergadura e pró-europeia, unindo esquerda e direita, à maneira das coalizões alemãs.
O Executivo poderia se estender ao Força Itália, o partido de centro direita de Silvio Berlusconi, que está praticamente morrendo, mas pode oferecer assentos parlamentares valiosos.
Dívida e urna
A Itália está altamente endividada e com crescimento estagnado. Se houver uma votação entre a população, ela acontecerá no mesmo momento em que o orçamento de 2020 é elaborado.
Medidas devem ser tomadas para evitar um aumento automático do imposto sobre valor agregado no próximo ano, destinado a cobrir um buraco orçamentário estimado em 23 bilhões de euros.
A crise italiana “está em uma fase crítica para a Europa, com risco de recessão na Alemanha, a instalação de uma nova Comissão em Bruxelas e pode contribuir para deteriorar significativamente a confiança na zona do euro”, diz Andrea Montanino, economista-chefe da federação patronal Confederustria.

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