Presidente do Conselho Europeu questiona no G7 acordo com o Mercosul após incêndios na Amazônia




Cúpula reúne líderes de sete potências econômicas em Biarritz, na França, até segunda-feira. Macron, Merkel, Trudeau e Boris Johnson já anunciaram que pretendem falar sobre situação ambiental no Brasil. Donald Tusk, em pronunciamento no G7, em Biarritz, na França
Markus Schreiber/AP
Em entrevista coletiva antes do começo da cúpula do G7, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pôs em dúvida neste sábado (24) a ratificação do acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul após os recentes incêndios na Amazônia e criticou a gestão ambiental do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.
“Apoiamos o acordo UE-Mercosul, que também implica a proteção do clima, mas é difícil imaginar uma ratificação harmoniosa pelos países europeus enquanto o presidente brasileiro permite a destruição dos espaços verdes do planeta”, afirmou Tusk em Biarritz, na França, onde a cúpula do G7 será realizada até segunda-feira.
As queimadas na Amazônia, a Rússia e a economia global devem ser alguns dos temas a serem debatidos no G7, cúpula de potências econômicas, que vai até segunda-feira (26) em Biarritz, na França.
Guerra comercial
Donald Tusk alertou que as guerras comerciais levarão as economias mundiais à recessão, em referência aos EUA. “As guerras comerciais levarão à recessão, enquanto os acordos comerciais impulsionarão a economia”. “Se Trump usa tarifas e taxas como um instrumento político por diferentes razões políticas, esse confronto pode ser muito arriscado para todos, inclusive para a UE”, disse.
Tusk advertiu ainda que se os Estados Unidos impuserem tarifas ao vinho francês, como ameaçou o presidente Donald Trump, a União Europeia “responderá da mesma forma” para defender seu país. “Embora a última coisa de que precisamos seja o confronto, especialmente com nosso melhor aliado, os Estados Unidos, temos que estar preparados para esse cenário”, disse Tusk.
A ameaça de Trump de impor tarifas sobre o vinho francês veio após a aprovação pela França da chamada “Taxa GAFA” (pelo Google, Apple, Facebook e Amazon), uma lei que obriga os gigantes da tecnologia a pagar um imposto de 3% sobre faturamento do seu negócio digital.
“A França pode contar com nossa lealdade e com todos os Estados membros”, disse Tusk, que considerou substancial a taxa digital imposta pela França, apesar de ser uma decisão nacional.
Além disso, o polonês lembrou que a próxima presidente do Conselho Europeu, Ursula von der Leyen, incluiu o problema da tributação digital em sua agenda, “não apenas pela solidariedade” com a França, mas porque ela coincide com a abordagem.
O presidente francês, Emmanuel Macron, também falou da guerra comercial neste sábado antes do G7. Ele disse que espera convencer os líderes do G7 a desistirem de uma guerra comercial que já está desestabilizando o crescimento econômico em todo o mundo.
“(Eu quero) convencer todos os nossos parceiros de que as tensões comerciais em particular são ruins para todos”, disse Macron, em um discurso na TV.
“Temos de conseguir chegar a uma escalada, estabilizar as coisas e evitar essa guerra comercial que já está ocorrendo em todos os lugares”, acrescentou.
Macron disse que os países do G7 também devem se envolver em estímulos econômicos para evitar que as economias mundiais entrem em recessão. “Precisamos encontrar novas maneiras de estimular o crescimento”, disse Macron, apontando para taxas de juros baixas que, segundo ele, devem estimular os países com espaço orçamentário para investir em iniciativas de educação e criação de empregos.
Trump no G7
O presidente norte-americano, Donald Trump, chegou neste sábado à França para participar da cúpula do G7 após desencadear outra tempestade econômica e política com a China. O avião de Trump aterrissou no aeroporto de Merignac (Bordeaux, sudoeste), de onde ele viajará em outro aparelho menor para Biarritz.
O presidente dos EUA aumentou duas tarifas que já havia anunciado contra produtos da China e ordenou às companhias americanas presentes no gigante asiático para que busquem soluções “alternativas” e voltem a se instalar em território americano. As medidas foram tomadas após a China anunciar tarifas a US$ 75 bilhões em produtos americanos como represália a outras medidas similares do governo dos EUA.
São justamente os efeitos da guerra comercial e de outras tensões envolvendo EUA e China uma das grandes preocupações da cúpula do G7 devido ao efeito na desaceleração da economia mundial.
Trump tomou partido em favor do presidente Jair Bolsonaro após as críticas que o brasileiro recebeu do presidente da França e anfitrião da cúpula, Emmanuel Macron, pela grave onda de incêndios na Amazônia. “Acabo de falar com o presidente Jair Bolsonaro, do Brasil. As nossas perspectivas comerciais são muito emocionantes, e a nossa relação é sólida, talvez mais do que nunca”, afirmou Trump no Twitter.
O comentário foi feito após Macron ameaçar não ratificar o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul nas condições atuais, por considerar que Bolsonaro mentiu quando, meses atrás, assumiu compromissos sobre a proteção da biodiversidade.
A história do presidente americano nas cúpulas do G7 nunca foi muito tranquila. Na edição do ano passado, ele se negou a assinar a declaração final e chegou a chamar o então anfitrião, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, de “desonesto”.
Um ano antes, em 2017, na Itália, Trump negou-se a aderir ao compromisso dos membros do G7 para implementar rapidamente o Acordo do Clima de Paris, do qual acabou retirando os Estados Unidos.
Em Biarritz, Trump terá encontros bilaterais com os próprios Macron e Trudeu, e também com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e os primeiros-ministros de Reino Unido e Japão, Boris Johnson e Shinzo Abe.

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