Cidade na Alemanha que elegeu neonazista para conselho municipal agora quer desfazer o voto




Na vila de Altenstadt-Waldsiedlung, no estado de Hesse, Stefan Jagsch foi eleito, sem concorrentes, para o conselho municipal – com votos de partidos do mainstream político alemão. Agora, eles querem anular a votação. Stefan Jagsch, do NPD.
Reprodução/Facebook Stefan Jagsch
Uma vila no estado de Hesse, na Alemanha, elegeu na semana passada um político de extrema-direita para liderar o conselho municipal. Stefan Jagsch, do NPD, chegou ao cargo em uma votação unânime que causou ultraje nacional.
Na segunda-feira (9), o conselho da vila – Altenstadt-Waldsiedlung, de cerca de 2,7 mil habitantes – decidiu anular a votação. Sete dos nove membros assinaram uma moção para remover Jagsch do posto.
Ainda não está claro, entretanto, quando Jagsch será convidado a sair – e ele já disse que não irá de boa vontade. O político declarou à agência de notícias DPA que pediria uma avaliação legal da moção do conselho.
NPD é ‘semelhante’ ao partido nazista
Em sua página no Facebook, Stefan Jagsch tem uma foto dele segurando uma placa que diz: ‘Eles falam em migração e querem dizer genocídio’.
Reprodução/Facebook Stefan Jagsch
O NPD – sigla em alemão para Partido Nacional-Democrata da Alemanha – é um partido de ultradireita com laços neonazistas – em 2017, o Tribunal Constitucional da Alemanha disse que o NPD era “de caráter semelhante” ao partido nazista, de Hitler. A corte, no entanto, decidiu contra a proibição da sigla, porque julgou que o partido era fraco demais para ameaçar a democracia.
A sigla é conhecida por sua veemente posição antimigração. Em sua página no Facebook, Stefan Jagsch tem uma foto dele segurando uma placa que diz: “Eles falam em migração e querem dizer genocídio”.
O partido também é considerado tabu pelas siglas do mainstream político alemão, segundo a Deutsche Welle.
O conselho que elegeu Jagsch era, entretanto, composto de representantes do CDU – partido da chanceler Angela Merkel; do SPD – os sociais-democratas, de centro-esquerda; e do FDP, os democratas livres, voltado para negócios.
Os membros do conselho defenderam sua decisão dizendo que não havia outros candidatos ao cargo – e nem todos se arrependeram da escolha. Norbert Szilasko, representante do conselho e membro do CDU, descreveu Jagsch como “absolutamente camarada e calmo” e disse que “pertencer ao partido não importa para nós”.
Outros políticos, entretanto, criticaram a eleição.
“Sim, foi cometido um erro grave – mas foi reconhecido e também está sendo corrigido de acordo”, disse Lucia Puttrich, que chefia o ramo regional do CDU onde a vila está localizada, à emissora pública local Hessischer Rundfunk.
Kathrin Anders, representante estadual do Partido Verde, pediu que mais pessoas se envolvam na política local para evitar tais situações no futuro.
“Em uma democracia, a escassez de pessoal não pode ser um argumento para eleger um neonazista”, disse Anders.
A líder do CDU, Annegret Kramp-Karrenbauer, disse que o “horror” com a eleição de Jagsch é “completamente justificado”.

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