Mesmo com pedido de adiamento, governo britânico afirma que Brexit vai ocorrer em 31 de outubro




Ministro responsável por negociar a saída do Reino Unido da União Europeia disse que o risco de um Brexit sem acordo aumentou e que o governo poderá intensificar os preparativos para um rompimento brusco. Manifestantes contra e favor do Brexit em Londres
REUTERS/Henry Nicholls
O governo britânico insistiu neste domingo (31) que deixará a União Europeia em 31 de outubro, apesar do pedido do primeiro-ministro Boris Johnson para adiar o Brexit para o dia 31 de janeiro.
“Vamos sair em 31 de outubro. Temos os meios e a capacidade de fazê-lo”, disse Michael Sky Gove, ministro encarregado dos preparativos sem acordo do Brexit, à Sky News.
Johnson enviou a solicitação conforme obrigava uma lei aprovada pelo Parlamento britânico, mas não assinou, e acrescentou outra carta assinada argumentando contra o que considerou um atraso profundamente corrosivo.
Segundo a agência de notícias AFP, a União Europeia recebeu três cartas. A primeira, sem assinatura, pede uma prorrogação de três meses. A segunda, assinada por Johnson, afirma que não deseja o adiamento.
E a terceira, do embaixador britânico na comunidade europeia, Tim Barrow, explica que a extensão foi solicitada apenas para cumprir a lei.
“Essa carta foi enviada porque o parlamento exigia que ela fosse enviada, mas o parlamento não pode mudar a mente do primeiro-ministro, o parlamento não pode mudar a política ou determinação do governo”, afirmou Gove.
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O ministro disse que o risco de Brexit sem acordo aumentou e o governo poderá intensificar os preparativos para um rompimento brusco.
“Não podemos garantir que o Conselho Europeu conceda uma prorrogação”, disse ele, acrescentando que presidirá uma reunião neste domingo “para garantir que a próxima etapa de nossos preparativos para a saída, nossa preparação para um acordo não seja acelerada”.
O primeiro-ministro Antti Rinne, da Finlândia, que atualmente ocupa a presidência rotativa da União Europeia, disse neste domingo que seria “sensato” concordar com um terceiro atraso. A decisão do adiamento caberá ao Conselho Europeu.
Do ponto de vista dos europeus, as opções de extensão variam de apenas um mês adicional até o final de novembro a meio ano ou mais.
O Parlamento britânico se reúne nesta segunda-feira (21) a partir das 14h30 (10h30 de Brasília) para voltar a discutir o divórcio entre Reino Unido e União Europeia.
União Europeia tenta ganhar tempo
Primeiro-ministro britânico sofre derrota e é forçado a pedir adiamento do Brexit
A União Europeia, que lida com a crise do Brexit desde que os britânicos votaram para sair do bloco em um referendo de 2016, ficou confusa com os sinais contraditórios de Londres.
A comunidade europeia vai esperar em vez de se apressar para decidir sobre o pedido relutante de Boris Johnson de adiar o Brexit novamente, disseram à agência Reuters diplomatas do bloco após uma reunião de 15 minutos neste domingo.
“Estamos buscando mais clareza até o final da semana, esperando como as coisas se desenvolvem em Londres”, disse um diplomata.
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O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse no sábado (19) que recebeu o pedido de Johnson e começaria a consultar os líderes do bloco europeu sobre como reagir.
O presidente francês Emmanuel Macron disse a Johnson que Paris precisava de esclarecimentos rápidos sobre a situação após a votação de sábado, disse uma autoridade da presidência francesa à Reuters. “Ele (Macron) sinalizou que um atraso não seria do interesse de ninguém”, disse a autoridade.
Segundo a Reuters, parece improvável que os 27 estados membros restantes da União Europeia recusem o pedido do Reino Unido, dado o impacto em todas as partes de um Brexit sem acordo.
Do ponto de vista dos europeus, as opções de extensão variam de apenas um mês adicional até o final de novembro a meio ano ou mais.
Para oposição, Johnson está sendo ‘infantil’
O Partido Trabalhista, que lidera a oposição, acusou Boris Johnson de agir como se estivesse acima da lei e disse que o primeiro-ministro pode terminar em um tribunal.
Por que o Parlamento britânico decidiu atrasar o Brexit
O porta-voz do partido no Brexit, Keir Starmer, disse que a oposição irá adotar emendas à legislação do Johnson sobre o Brexit, particularmente com o objetivo de esgotar todas as alternativas para um Brexit sem acordo.
“Ele está sendo infantil. A lei é muito clara: ele deveria ter assinado uma carta … Se cairmos, por causa do que ele fez com as cartas, daqui a 11 dias, sem um acordo, ele assume a responsabilidade pessoal por isso, “Starmer disse à rede televisão da BBC.
Questionado sobre se o caso poderia acabar na Justiça, Starmer disse: “Tenho certeza de que haverá processos judiciais”.

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