Início Mundo Parlamento da Bolívia recebe carta de renúncia de Evo Morales: ‘Resistir para amanhã lutar pela pátria’

Parlamento da Bolívia recebe carta de renúncia de Evo Morales: ‘Resistir para amanhã lutar pela pátria’

por Portal Click Política




Ex-presidente afirma que renunciou por um ‘golpe de estado político cívico policial’. La Paz teve ônibus queimados e ruas bloqueadas. O agora ex-presidente da Bolívia Evo Morales, que renunciou neste domingo (10)
Juan Karita/AP
O Parlamento da Bolívia recebeu nesta segunda-feira (11) a carta com o pedido de renúncia de Evo Morales à Presidência do país. No texto, obtido pelo jornal “El Deber” e pela agência EFE, o ex-presidente afirma que se retirou do poder devido a “um golpe de estado político cívico policial”.
Entenda a crise política na Bolívia
“Minha responsabilidade como presidente indígena e de todos os bolivianos é evitar que os golpistas sigam perseguindo meus irmãos e irmãs dirigentes sindicais, maltratando e sequestrando seus familiares, queimando casas de governadores, de parlamentares e de conselheiros”, afirma Evo, em carta.
“A ordem é resistir para amanhã voltar a lutar pela pátria. Nossa ação é e será defender as conquistas de nosso governo. Pátria ou morte!”, completa o texto.
Senadora Jeanine Añez segura bandeira boliviana no Congresso da Bolívia em La Paz nesta segunda-feira (11)
Luisa Gonzalez/Reuters
A segunda vice-presidente do Senado, a opositora Jeanine Añez, disse que a renúncia será decidida em sessão nesta terça-feira, às 11h30 (horário local, 12h30 em Brasília). Além disso, Añez reivindicou o direito de assumir interinamente a Presidência da Bolívia – afinal, o vice de Evo e os presidentes da Câmara e do Senado também renunciaram.
Em discurso, Añez garantiu que respeitará os parlamentares do Movimento para o Socialismo (MAS), partido de Evo que detém maioria no Congresso. A senadora ainda afirmou esperar que a mudança de governo até 22 de janeiro.
Evo comunicou a renúncia ainda na noite de domingo, após escalada nos conflitos que tiveram início com denúncias de fraude nas eleições que dariam ao então presidente o quarto mandato consecutivo.
Veja cronologia da crise na Bolívia
Imagem da casa de Evo Morales em Cochabamba, que foi invadida após sua renúncia, em 10 de novembro de 2019
Associated Press
Depois de Evo, deixaram o posto o vice-presidente Álvaro García, a presidente do Senado, Adriana Salvatierra, o vice-presidente do Senado, Rubén Medinacelli, e o titular da Câmara dos Deputados, Víctor Borda.
A Constituição prevê que a sucessão começa com o vice-presidente, depois passa para o titular do Senado e depois para o presidente da Câmara dos Deputados, mas todos eles renunciaram com Evo.
Confrontos em La Paz
Ônibus queimados durante manifestação em La Paz nesta segunda-feira (11) após renúncia de Evo Morales à Presidência da Bolívia
Ronaldo Schemidt/AFP
A renúncia de Evo Morales repercutiu em conflitos pela Bolívia, sobretudo na região de La Paz, onde apoiadores do ex-presidente deixaram bairros e cidades vizinhas como El Alto para protestar em bairros mais nobres da sede do governo boliviano.
Os manifestantes incendiaram ônibus e entraram em confronto com forças de segurança locais. Alguns ainda fizeram piquetes e bloquearam estradas. Segundo o jornal “El Deber”, à noite, grupos incendiaram casas e saquearam lojas.
Um vídeo difundido entre os bolivianos mostra pessoas dentro da propriedade do próprio Evo Morales, depois que ele voou para outra parte do país. O imóvel foi alvo de pichação
Bloqueio de rua em La Paz, na Bolívia, nesta segunda-feira (11)
Aizar Raldes/AFP
Figuras importantes da oposição e o acadêmico Waldo Albarracin relataram em redes sociais que tiveram suas casas incendiadas por apoiadores de Evo. A residência de uma jornalista da Televisão Universitária também foi queimada.
O jornal “La Razon” descreveu que várias áreas da cidade de La Paz amanheceram com rastros “de uma noite de terror” e disse que a polícia esteve ausente e demorou para entrar em ação.
Em alguns bairros, vizinhos organizaram piquetes e barricadas de contenção. Houve ainda ataques a pátios de ônibus – em uma das centrais, 33 veículos viraram cinzas.
Reunião internacional
A Organização dos Estados Americanos (OEA) terá reunião nesta terça-feira para discutir a situação da Bolívia. O encontro foi convocado pelo Brasil e outros países: Canadá, Colômbia, Estados Unidos, Guatemala, Peru, República Dominicana e pela representação de Juan Guaidó na Venezuela.
Em nota, a secretaria-geral da OEA disse que “rejeita qualquer saída inconstitucional da situação” e pede “pacificação e respeito ao Estado de Direito”.
“Da mesma forma, é importante que a justiça continue investigando as responsabilidades existentes em relação à prática de crimes relacionados ao processo eleitoral realizado em 20 de outubro, até as últimas consequências”, completa a nota.
Em nota, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a renúncia de Evo representa “um significante momento para a democracia no Hemisfério Ocidental” e que a decisão do ex-presidente em deixar o cargo “preserva a democracia” na Bolívia.
Trump ainda acrescentou que a crise na Bolívia é um “forte sinal” para os “regimes ilegítimos” na Venezuela, de Nicolás Maduro, e da Nicarágua, de Daniel Ortega.
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